sábado, 24 de setembro de 2011

SER "CRENTE" OU ESTAR "CRENTE"?


Ser “crente” ou estar “crente”.

Na última semana ocorreu uma programação dos jovens e adolescentes na igreja onde congrego e pastoreio. Eles se reuniram em um momento de comunhão e confraternização. Foi trazido um filme para assistirem e eu resolvi ficar ali e assistir o filme junto deles.

O filme era muito interessante. Mostrava a vida de um jovem que começa a freqüentar reuniões em uma igreja devido a vários problemas que vivenciava. Nessas reuniões ele começa a perceber que a grande maioria das pessoas que ali se encontram sequer prestam atenção ao que o líder ministra e como muitos desses estudam na mesma escola que ele, também começa a perceber que não praticam o que lhes é ensinado na igreja, e mais, fazem o contrário das orientações ali ministradas.

Em certo momento, ele em uma conversa com o pastor daquela igreja pergunta:

- Por que existem tantos hipócritas na sua igreja?

O pastor meio constrangido responde que é natural existirem pessoas que “estão” na igreja, mas não “são” da igreja. E começa então a orientá-lo para não se incomodar com isso, mas refletir de forma positiva sobre essa questão e ter atitudes diferentes desses que chamou de “hipócritas”.
O jovem então passa a fazer isso e confrontar o grupo com o fato de muitos ali não demonstrarem nenhuma transformação visível. O grupo então que se reunia passa de aproximadamente 50 pessoas para menos de 10. Apenas algo em torno de 20% daqueles jovens e adolescentes realmente tinham compromisso com Deus e certamente conversão genuína. Por causa disso, eles sofrem perseguições de vários tipos na escola, em casa e até na própria igreja.

Isso me chamou muito a atenção.

Realmente muitos que estão na igreja não são da igreja, e para ser mais profundamente teológico, não “são Igreja”.
Esse filme me fez refletir sobre várias questões na vida da igreja e na vida cristã de uma forma geral.
A saída e o abandono de quase 80% daquelas pessoas em freqüentar as reuniões na igreja foi uma conseqüência do confronto das atitudes erradas (pecados) com a orientação bíblica (santidade). Essa problemática não é apenas uma ficção como no filme, mas uma realidade em qualquer igreja no mundo. Muitos abandonam e saem de suas congregações e decidem não mais conviver com seus irmãos de fé.
Aqui vale um parenteses: Sempre haverá uma justificativa para tal atitude. Sempre haverá algo ou alguém que “motivou-os” a ter tal atitude. Isso é natural. A igreja não é perfeita. A igreja tem problemas e muitos defeitos. Por quê? Porque ela é formada por pessoas, seres humanos, imperfeitos e pecadores (mesmo alguns sendo salvos, ainda são pecadores). Sempre haverá equívocos e erros que servirão de “justificativas” para o abandono da vida em congregação.
Uma pergunta é importante fazer nesse ponto: Será que não existem também justificativas para não desistir, não sair, não abandonar a congregação? Desafio você leitor a refletir sobre isso.
Mas, para não sair do raciocínio inicial, será que muitos que saem das congregações eram realmente crentes ou simplesmente estavam crentes?
Outro parenteses: Minha intenção não é julgar a intenção ou conversão de ninguém, até porque não tenho autoridade e muito menos autorização de Deus para isso, mas uma reflexão sem preconceitos ou falsas espiritualidades é recomendável e um bom exercício para todo cristão.
Será que não é por isso que muitos líderes, pastores, pastoras, homens e mulheres de Deus se decepcionam quando visitam ou entram em contato com “irmãos” que abandonaram seus compromissos e vida em congregação para que revejam suas atitudes e retornem ou para simplesmente conversar e explicar seus motivos e são recebidos com falta de consideração e respeito (quando são recebidos) e em alguns casos até com falta de educação?
Será que visitar, entrar em contato, tentar entender os motivos, “ir atrás” para usar um palavreado de crente, são atitudes corretas por parte dos demais irmãos que permanecem servindo a Deus em sua igreja local?
Alguém poderia me questionar fazendo-me lembrar da orientação bíblica da busca pela ovelha perdida. A Bíblia orienta a deixar as 99 e buscar a única ovelha perdida. Mas, como saber se aquele ou aquela que não quer mais congregar é realmente uma “ovelha” ou simplesmente vestiu uma “pele de ovelha” durante um tempo e finalmente a abandonou e mostrou sua verdadeira identidade de “bode” ou de “lobo”?

Novamente é algo também a se pensar.

Mas, penso que mesmo sem saber quem é quem, devemos fazer nossa parte em tentar trazer de volta os que se separam do rebanho. Mesmo recebendo algumas “chifradas” dos bodes e algumas “mordidas” dos lobos, algumas podem ser ovelhas e entenderão nossa preocupação e amor por elas (mesmo que a princípio, não retornem). Afinal de contas, a Bíblia revela que as ovelhas reconhecem a voz do Bom Pastor e O seguem.
Lembro-me agora também da parábola do filho pródigo contada pelo Senhor. O interessante é que quando se é ovelha, filho de verdade, mesmo quando se abandona a casa do Pai e o convívio com os demais irmãos, ainda assim não deixa de ser filho. Mas, o que é mais interessante ainda nessa parábola é que o pai (ali simbolizando Deus) não vai buscar o filho, muito menos envia o irmão mais velho para tentar convencê-lo a retornar ou ainda envia um de seus funcionários para tal. Ele apenas espera, aguarda o retorno do filho que desprezou a companhia da família. E mais interessante ainda é que o filho retorna, depois de “cair em si”. Retorna aos “frangalhos”, mas retorna.

Mais uma vez, isso nos faz pensar.

Alguém diria que estou defendendo a predestinação ou o calvinismo. Eu responderia, sem entrar no mérito dessas questões, que defendo veementemente que Deus cuida e corrige aqueles que são verdadeiramente seus filhos.
Por fim, o filme me fez lembrar que na igreja se encontram pessoas restauradas por Deus e pessoas sem Deus, fadadas ao triste e justo fim, o inferno. O triste é que me parece que as restauradas não são a maioria e sim a minoria. E o mais triste é que não sabemos as que realmente SÃO e as que somente ESTÃO.
E muitas vezes nos cansamos, nos preocupamos e até nos humilhamos tentando fazer com que as que apenas ESTÃO tenham atitudes de ovelhas. Inútil trabalho. Nunca entenderão isso.
Mas, quando conversamos com uma ovelha de Cristo, o diálogo é diferente. Percebemos que ali há uma pessoa como nós. O assunto é diferente. A forma e o conteúdo são diferentes. Mesmo afastados da comunhão dos irmãos, o amor, a paixão, a saudade da vida em uma comunidade cristã sempre aflora. Notamos que falamos com alguém da família. Percebemos isso claramente. Por isso, tenho certeza que os que SÃO retornarão, independente dos acontecimentos que os levaram a se afastar. 
Mas, outros alentos podemos ter: Não devemos nos torturar porque esse ou aquele decidiu abandonar a igreja. Não devemos nos culpar ou aceitar que nos imponham essa culpa. Talvez, nem ovelhas eram. As que forem, entenderão e retornarão.
No filme, o jovem decide seguir e servir a Cristo, é batizado e se filia a igreja de forma objetiva, levando consigo sua mãe e amigos. Na igreja ele casa com uma jovem que também trouxe e constitui uma família. E assim o filme termina...
O filme termina, mas a igreja prossegue viva como nunca. Com seus problemas. Com gente hipócrita e até mesmo alguns “débeis” como Paulo menciona, mas continua também com gente salva, restaurada e abençoada. E aguardamos o retorno de nossos queridos irmãos que certamente voltarão.

Nós não sabemos quem SÃO e os que somente ESTÃO.
Mas Deus sabe quem SOMOS e o que Ele É para nós.

Pr. Magdiel G. Anselmo.
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