quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

AFASTANDO OS EVANGÉLICOS DA PALAVRA DE DEUS






        A apostasia dentro da igreja evangélica, atualmente, é rompante. Esta é pelo menos a minha perspectiva como a de quem observa as tendências religiosas e os desenvolvimentos nas últimas três décadas. Antes de apresentar minhas específicas preocupações, permitam-me definir alguns termos.

        O uso da palavra "evangélico" neste artigo refere-se exclusivamente àqueles que afirmam ser a Bíblia sua exclusiva fonte de autoridade em todos os assuntos de fé e prática. A apostasia consiste naqueles ensinos e práticas contrários à Palavra de Deus, os quais seduzem e enganam tantos os cristãos nominais como os verdadeiros crentes. A apostasia bíblica "é  o afastamento que resultará num falso Cristianismo sob o controle do Anticristo":
"Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição" (2 Tessalonicenses 2:3). Embora o ápice da apostasia deva acontecer após o arrebatamento da igreja, vários aspectos dessa religião apóstata têm enredado e continuarão enredando muitos crentes, ao longo do seu desenvolvimento. Em determinado ponto, no futuro, haverá uma completa rejeição ao Cristianismo bíblico, o qual será substituído pela religião do Anticristo. Esta vai manter uma aparência de Cristianismo, o qual se tornará acessível a todas as religiões.
Essa perversão do Cristianismo não vai acontecer repentinamente, até o Anticristo aparecer. O processo do engodo começou há muito tempo, no Jardim do Éden, quando Satanás seduziu Eva, tendo se tornado gradativamente uma influência corruptora dentro do Cristianismo, à medida em que se aproxima o aparecimento do falso messias, que o mundo inteiro vai adorar (Apocalipse 13).




        Satanás iniciou o seu diálogo com Eva plantando as sementes da dúvida sobre o que Deus havia realmente ordenado:
"É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?"
(Gênesis 3:1).
Essa brecha do Adversário foi a base principal de sua estratégia, a partir de então, para induzir os homens à rebelião contra Deus. Suas implicações impugnando o caráter de Deus e sancionando as racionalizações do homem parecem intermináveis: por que iria Deus privá-lo de algo bom? Será que Ele realmente governa? Ele faz as regras? Você entendeu mal as Suas ordens; não existem absolutos; você precisa considerar o que Ele diz a partir de sua própria perspectiva, e assim por diante.
Mesmo tendo confirmado o mandamento divino, na maior parte das vezes, Eva acrescenta o seu errôneo pensamento ao que Deus havia realmente dito:
"Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais"
(Gênesis 3:3).


        É isso o que acontece quando surgem os diálogos relativos aos absolutos: a verdade é acrescentada ou então é subtraída. Tragicamente, muitos cristãos nada vêem de errado em se reescrever a Palavra de Deus. Eles estão perfeitamente de acordo com as versões bíblicas que têm feito exatamente isso.

        Em resposta a Eva, Satanás rejeita ostensivamente as admoestações divinas de que a morte seria a conseqüência do pecado:
"Certamente não morrereis"
(verso 4), tornando Deus mentiroso e, ao mesmo tempo, rebaixando-O, conforme tem sido o jogo de Satanás.  Desse modo, a
serpente convence Eva de que obedecer ao mandamento de Deus equivalia a ser privada da iluminação, da divindade e do conhecimento, limitando severamente o seu potencial:
"Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal" (verso 5).


        Variações dessa mentira básica feitas por alguém que foi mentiroso desde o princípio (João 8:44) têm enganado sucessivamente a humanidade através da história:
"É assim que Deus disse?". Esse ataque direto de Satanás contra a Palavra de Deus tem levado tanto os cristãos nominais como os cristãos verdadeiros à apostasia.


        Questionar ou rejeitar o que Deus disse nas Escrituras é o que está no âmago da rebelião contra Ele. As razões deveriam ser óbvias:

        1. - Quando não confiamos na Bíblia como sendo a comunicação específica de Deus à humanidade, então ficamos sem coisa alguma, além das suposições e opiniões do homem sobre Deus e sobre o que Ele deseja de nós.

        2. - As finitas especulações humanas sobre o seu Criador infinito não apenas são terrivelmente errôneas como malignas, por serem geradas pelo homem pecador e pela sua natureza auto-serviente.

        3. - Até mesmo um verdadeiro crente pode mergulhar em trevas, se ficar privado da verdadeira luz e da lâmpada que é a Palavra de Deus (Salmos 119:105).

        Embora a Bíblia tenha sofrido vários ataques ao longo dos séculos, a principal estratégia da serpente do "É assim que Deus disse?"  pode ser a mais letal, desde a antiguidade. O processo envolve os cristãos funcionalmente iletrados sobre o que a Bíblia realmente ensina, os quais, desse modo, não possuem uma base sólida de interesse em discernir entre a verdade e o erro bíblico. Por "funcionalmente iletrados" quero dizer que esses evangélicos sabem ler a Bíblia, possuem uma Bíblia (de algum tipo), porém raramente a lêem, preferindo obter o seu conteúdo de alguma outra fonte
[É a síndrome católica do fiel que deixa tudo nas mãos da hierarquia romana, um mal que tem dominado os evangélicos modernos - MS].


        Condicionados por esse processo subversivo, os cristãos biblicamente superficiais têm pouca ou nenhuma preocupação com a doutrina. Eles se destacam em experiências e sensações, as quais determinam quase tudo em que eles crêem. Falando profeticamente sobre os últimos dias, o Apóstolo Paulo parece ter tido exatamente isso em mente:
"Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas" (2 Timóteo 4:3-4). Concupiscências da carne e da imaginação estão aqui implícitas.


         Algumas décadas atrás, os extremistas pentecostais e carismáticos teriam sido o ponto óbvio de referência à admoestação de Paulo, em vista de sua obsessão por curas, prosperidade e poder espiritual, em busca de sinais e maravilhas. Hoje, o Cristianismo experimental tem-se estendido muito além das fronteiras do que antes se considerava um elemento evangélico alienado. Ele agora invade toda a igreja, inclusive aquelas denominações antes
conhecidas pelas suas conservadoras visões doutrinárias e adesão à Bíblia. Elas
têm solidificado vigorosamente o engodo dos espúrios sinais e
maravilhas em
seus portões de entrada, abrindo, ao mesmo tempo, as portas laterais e os salões da juventude aos provedores de experiências menos óbvias, porém igualmente desastrosas em suas formas.


        Diante dos exemplos do Cristianismo experimental hoje apresentados, deve ficar entendido que o Cristianismo verdadeiro é tanto doutrinário como experimental. Isso inclui uma relação pessoal com o Senhor Jesus Cristo, a qual tem início quando alguém entendeu a doutrina (isto é, o ensino básico) da salvação - o Evangelho de Cristo - e tem-na aceitado pela fé. Quando isso acontece, o Espírito de Cristo vem habitar na pessoa (Efésios 1:13; 4:20; Romanos 8:9). Quando alguém compreende tudo que Cristo fez por nós, o Seu verdadeiro amor acontece.

        Em seguida e à medida em que alguém cresce no relacionamento com Cristo, conhecendo e obedecendo as Escrituras, o verdadeiro amor por Jesus aumenta.
E à medida em que a pessoa amadurece na fé, o fruto do Espírito vai gradualmente se manifestando:
"amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança" (Gálatas 5:22). Nesse caso, qual o problema fundamental do Cristianismo experimental?


         O erro principal na igreja evangélica de hoje é que as experiências (sensações, emoções, paixões, intuições, etc.)  têm-se tornado a direção para se entrar ou estabelecer a verdadeira espiritualidade. Em vez das sensações e emoções subjetivas estarem presentes como resultado de uma adesão à sã doutrina, essas experiências têm-se tornado o árbitro de alguém ser ou não ser cristão. Em vez de testar um ensino, prática ou situação conforme a Palavra de Deus, o julgamento passa a ser " como alguém se sente".

        Duas vezes no Livro de Provérbios, nos termos mais claros, somos ensinados que
"Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte"
(Provérbios 14:12 e 16:25). Em outras palavras, quando alguém se orienta pelo que pensa ou sente, independentemente de ser ou não contra o que Deus disse, as conseqüência serão apenas de destruição para ele.
A morte consiste na separação do espírito e da alma do corpo humano; além disso, os caminhos de morte incluem a separação do homem da verdade da luz de Deus:
"À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles"
(Isaías 8:20).


        O experimentalismo (que parece direito ao homem) é o levedo que está agindo em sua ação perniciosa dentro da igreja, minando a verdade bíblica. Hoje em dia acontecem infectas manifestações com forte ênfase sobre o seguinte: sinais e maravilhas; curas e prosperidade pela fé; logos versus rhema; novos apóstolos e profetas; domínio do reino; missões redimindo as culturas; batalha espiritual estratégica; cura interior; doze passos; psicologia cristã; ativismo evangélico social; ecumenismo; crescimento da igreja; igreja com propósito; igreja emergente; misticismo contemplativo, entretenimento na igreja; adoração contemporânea, versões culturalmente adaptadas da Bíblia, traduzidas visualmente. Todos esses movimentos estão em franca oposição ao meridiano ensino da Palavra de Deus e, mesmo assim, multidões os têm ansiosamente seguido.

        Embora esses diversos esforços muitas vezes se distanciem em termos de conceitos e métodos, eles têm compartilhado uma
característica comum: conquanto prestando um culto labial às Escrituras, todos eles, quer
seja por
ignorância, auto-engodo ou engodo planejado, subvertem criticamente os seus ensinos.
O caminho que parece direito ao homem - caminho em que ele se sente bem, produz crescimento numérico, parece mais espiritual, movimenta emocionalmente as pessoas, parece mover Deus em favor de alguém, mantém as pessoas unidas, fazem-nas parecer mais próximas de Deus e se sentirem melhor consigo mesmas, é mais positivo, enche mais bancos, impressiona o mundo, não faz julgamentos, etc. - este caminho está eliminando sistematicamente qualquer preocupação com a sã doutrina dentro da igreja. Isso é experimentalismo que se opõe à sã doutrina entre os evangélicos, ajudando a igreja a entrar na apostasia.


        Não temos espaço suficiente neste artigo para explicar todos os movimentos supra citados [A tradutora recomenda para isso o livro "Reconhecendo o Engodo", de Dene McGriff, por ela traduzido e posto à disposição dos leitores].
Temos escrito sobre a maioria deles durante anos. Muitos deles podem ser encontrados em pesquisas no site
www.thebereancall.org ou nos livros por nós ali oferecidos.

        Os carismáticos e pentecostais extremistas  têm como ensino fundamental o modo como Deus se comunica diretamente  com o Seu povo, fora da Bíblia, principalmente através de uma nova geração de apóstolos e profetas. Essa nova maneira é chamada "Rhema de Deus"
[tendo sido criada por David Yongi Cho, na Coréia do Sul], apresentada como um contraste com o logos, considerado como a antiga forma escrita. Um dos líderes mais importantes desse movimento é C. Peter Wagner [considerado a apóstolo principal],
o qual afirma estar instruindo a igreja em novas maneiras de fazer as coisas através dos seus modernos profetas. Desse modo, a Bíblia se torna de pouco ou nenhum valor para julgar o que está sendo promovido.
Tal ensino não apenas é antibíblico como tem sido catalisado da maior parte dos rituais espiritualmente espúrios do século passado, desde a proliferação dos falsos profetas até a assim chamada amarração de espíritos territoriais, para que seja tomado o controle das cidades, dos países e, finalmente do mundo "para o Senhor"
[É uma variação da teologia de Agostinho de Hipona conhecida como Dominionismo].


        Conhecer e ficar espiritualmente mais próximos de Deus (por exemplo, através da visualização ocultista) é a pratica atual de muitos evangélicos hoje em dia. Richard Foster [um líder quaker com inclinação à Nova Era] e outros têm derivado sua técnica de formação espiritual a partir dos "santos" e místicos. Foster criou a  Bíblia de Formação Espiritual Renovaré, a fim de respaldar sua técnica mística, embora os seus escritos deturpem as Escrituras e minimizem a sã doutrina.  Ele introduziu técnicas místicas orientais na igreja, algumas décadas atrás, através de sua obra "Celebração da
Disciplina"

(depressa adotada como leitura essencial pela liderança da Campus
Crusade for Christ).
Atualmente, sua agenda de formação espiritual é fundamental à igreja emergente, movimento amplamente difundido entre os evangélicos de 20-30 anos de idade, os quais são atraídos pelas liturgias sensoriais (velas, incenso, cânticos, vestimentas, rituais, estátuas, imagens, etc.) do Catolicismo Romano e da Ortodoxia Oriental, como um suposto meio de fortalecer a sua formação espiritual.
Eugene Peterson, contribuinte da Renovaré, tem sua versão popular - The Message (A Mensagem). O experimentalismo através de uma presumível licença poética é ostensivamente manifestado através desta humanista e culturalmente aceitável perversão da Palavra de Deus, a qual Rick Warren tem promovido ao máximo.


        O movimento da busca pelo sensível crescimento da igreja tem empurrado o experimentalismo (e o seu parente próximo, o pragmatismo) de maneira predominante, graças ao poder de marketing. Necessariamente a sã doutrina é posta de lado, enquanto as igrejas correm ao encontro das "necessidades dos sentidos" dos consumidores visados como cristãos potenciais. A convicção de pecado não causa bem estar, nem promove boas vendas.  O pensamento desejável da "igreja com propósito", que atrairia o perdido a se voltar contra  os métodos do mundo, tem-se tornado um Titanic que ignora as admoestações, atirando para longe a sua ligação com a doutrina de Cristo.
Ao mesmo tempo em que a  orquestra busca uma substituição do coro para "Mais Perto de Ti Senhor", o vapor vai mergulhando nas profundezas do compromisso, e recusando os salva-vidas que poderiam salvar o mundo dos seus problemas. Este é um caminho que parece direito ao mundo e a um espantoso número dos que professam crer na Bíblia. Ironicamente, o nosso tempo está dando mais atenção à mídia cristã e a mais entretenimento do que à Bíblia. Contudo, o resultado é a corrupção da verdade de Deus, deixando de existir qualquer amor pela sã doutrina, especialmente desde que os adeptos do marketing têm estado na liderança do caminho. Na melhor das hipóteses, a igreja evangélica dos USA
[e das simiescas nacionais que a seguem] apresenta-se morna como a de
Laodicéia (Apocalipse 3:14-17):
rica e
abastada de bens materiais, igreja que pode produzir cristãos superficiais, e que, na pior das hipóteses, tem-se tornado aceitável ao engodo dos tempos finais. Contudo, até mesmo em face da perturbadora situação, temos razão de ser tanto encorajados como frutíferos, se obedecermos à inspirada exortação do Apóstolo Paulo na 1 Timóteo 4:16:
"Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem". Oremos uns pelos outros, a fim de que isso realmente aconteça!


http://www.cpr.org.br/Mary.htm

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

CRISTÃOS PERSEGUIDOS VOCÊ SE IMPORTA?

Evangélicos são presos por crerem em Jesus
   
 
Cristãos da comunidade de Saltillo  
MÉXICO (*) - Em 17 de janeiro, chefes de Saltillo, Estado de Chiapas, prenderam cristãos da comunidade. As autoridades pressionam os cristãos e os ameaçam a fim de que renunciem a fé cristã evangélica, uma vez que a maioria da comunidade é católica.

As autoridades reivindicam que é crime não apoiar eventos católicos e que é também um sinal de que os evangélicos não se importam com sua comunidade. Essa é uma discussão comum entre católicos no Estado de Chiapas.

Cinco homens influentes na comunidade intensificaram sua discussão com os cristãos, e no dia 17 declararam: "Prendemos esses crentes porque a fé deles em Jesus Cristo faz com que não gostemos deles e não os queremos mais em nossa comunidade".

Esses mesmos homens lideraram um grupo que foi de casa em casa, detendo oito cristãos e levando-os para a prisão. Os homens ficaram detidos da noite de domingo até a noite do dia seguinte.

Ao liberar os cristãos, os chefes da comunidade os impediram de retornar para casa e informou que suas famílias teriam de ir embora.

Foi feito um apelo à instância superior, em Las Margaritas, que se reunirá para decidir onde os cristãos serão alojados.

No momento, não se planeja levar os cristãos de volta a sua casa original. Eles terão primeiro que deixar a comunidade, mudar-se e então fazer um apelo, pedindo para retornar para sua propriedade.

Mesmo recebendo permissão para retornar, os chefes de Saltillo não sofrerão nenhuma ação legal.

Martin Gómez Cruz, um dos cristãos presos, disse: "Eu estou bem. Não fomos agredidos, mas violaram nosso direito de crer em Jesus Cristo. Continuamos a confiar em Deus porque Ele é nosso apoio".

Tradução: Missão Portas Abertas

* Este país não se enquadra entre os 50 mais intolerantes ao cristianismo.

Fonte: Portas Abertas
 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A BUSCA DE DEUS.



A busca de Deus

(Dave Hunt)



         A maioria dos pais tem se sentido frustrada (ou divertida) com uma curta e  constante pergunta dos filhos: "Por que?", a qual é continuamente repetida. Entretanto, cada resposta que tentam dar gera uma outra pergunta: "Mas, por que?"  Todas as crianças pequenas reconhecem que deve haver uma razão para tudo.

         A insistência do "por que?" reflete uma busca instintiva para uma resposta definitiva, além da qual não existam mais perguntas. Para alguns essa curiosidade natural se inicia com a busca de Deus, Aquele que prometeu: "E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração" (Jeremias 29:13).  Mais que freqüentemente, porém, essa busca não é de todo o coração e o que deve ter começado como uma busca honesta  logo se transforma num motivo sem valor (desculpa) ou coisa assim.

         À medida em que os filhos crescem e o desapontamento se transforma em cinismo, muitos deles perdem o interesse por questões vitais e passam a fazer com que suas vidas girem em torno de trivialidades mundanas. A sede espiritual de Deus incrustada na alma por Aquele que "é amor" (1 João 4:8) e que criou o homem para Si mesmo, e pela espiritual "água da vida", que somente Jesus Cristo pode dar (João 4:14; 7:37-39; Apocalipse 22:17), é confundida com a sede do corpo por uma coisa física. O que deveria ser de "A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo..." (Salmos 42:2), "A minha alma está desejosa, e desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo" (Salmos 47:2), transforma-se em "tenho sede de dinheiro, de sexo, de prazer, de sucesso, de roupas caras e de comida deliciosa" -  e o vazio espiritual vai piorando sempre.


         No colégio e na universidade, os confiantes estudantes "aprendem" que não existe verdade, não existem absolutos, não existem respostas definitivas e que tudo é relativo - então qual é a finalidade de tudo? A porta para a vida eterna é estreita demais para o seu gosto (e a declaração "Provai e vede que o Senhor é bom" [Salmos 34:8] parece mística e tola), e, desse modo, eles se juntam às multidões que "entram pela porta larga, que conduz à destruição" (Mateus 7:13-14). A vida se torna, então, em vã perseguição do momentâneo prazer carnal - e muitas igrejas, tragicamente, se satisfazem nessa mortal obsessão, oferecendo prazer e diversão. Oferecem ensinos superficiais e sem contestação, a fim de atrair os jovens "para Cristo".

         Até mesmo entre os cristãos existem poucos que dão muita atenção  ou se preparam seriamente para a eternidade, sim, eternidade. Qualquer obra do Espírito Santo  (de convencer do pecado, da justiça e do juízo, João 16:18) que tenha sido enraizada no coração, logo é arrancada pelos "cuidados deste mundo" (Mateus 13:22), enquanto os mais velhos (com raras exceções) resvalam pelo caminho que conduz à morte. Existem, contudo, muitas pessoas não salvas, que não conseguem escapar à sóbria verificação de que esta vida passageira termina cedo demais - temendo o que existe além da mesma. Estas anseiam por respostas agradáveis às questões sérias que as assaltam, nos momentos de reflexão. Não é mais o trivial que preenche a vida diária que elas buscam, mas respostas definitivas às questões mais importantes da vida. É para essas pessoas que Pedro nos diz que devemos estar "sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que nos pedir a razão da esperança que há em nós"
(1 Pedro 3:15). O Senhor tem me conduzido a muitas dessas pessoas, freqüentemente aquelas que sentam ao meu lado no avião, o motorista de táxi ou - quem sabe?


         A maioria das pessoas que tem pensado seriamente sobre a vida e a morte sabe que Deus existe. Aos que estão na dúvida, podemos provar rapidamente a Sua existência. Esse fato conduz a sérias conseqüências que devem ser encaradas nesta vida. Esperar pelo após a morte é, obviamente, tarde demais, conforme Hebreus 9:27: "E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo".

         Para os que reconhecem que o túmulo não é fim da nossa existência, Satanás oferece outros motivos, tais como a sobrevivência espiritual e a reencarnação. É o pensamento do julgamento e castigo eterno que muitos não cristãos (e até mesmo muitos que professam ser cristãos) acham difícil de aceitar. Estreitamente relacionada está a perturbadora indagação do por que Deus permitiria o pecado e o sofrimento.

         Exatamente aqui somos forçados a discordar da afirmação calvinista de que tudo que acontece - toda tragédia e maldade - é exatamente o que Deus quis, desde a eternidade. Essa crença parece justificar a queixa dos ateus: "Se o vosso Deus não pode evitar todo sofrimento e mal, ele é fraco demais para ser Deus; e se ele pode e não o faz, então é um monstro indigno de nossa confiança". 

         É claro que a simples resposta é que Deus não é a causa do mal. O homem é quem é. Sim, Deus permite o mal. Existe algo melhor do que causá-lo? Obviamente existe uma enorme diferença. Somente uma explicação do terrível estado deste mundo fala diretamente à consciência  e é declarado na Bíblia (e aqui novamente nos encontramos em conflito com os nossos amigos calvinistas). Deus deu ao homem o livre arbítrio, de modo que possamos voluntária e conscientemente amá-Lo e para que cada um não seja um bruto governado pelo instinto, ou pior, meros fantoches com Deus puxando os cordões.

         Desse  modo, a única maneira de eliminar o mal deste mundo seria eliminar a raça humana, pois, conforme Jesus falou, "... do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias" (Mateus 15:19). A triste verdade é que "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jeremias 17:9), o que não é fácil de se admitir. Adoramos censurar os outros e uma característica da psicologia é encorajar o "nunca é culpa minha, mas dos pais, da sociedade, das circunstâncias, das decepções, etc.". O primeiro passo para a cura é assumir a culpa voluntariamente e encarar as conseqüências.

         Portanto, o homem é pecador e o pecado deve ser castigado. O que a Bíblia declara faz sentido e cada consciência sabe disso: qualquer que seja a penalidade prescrita pela lei, ela deve ser paga. Se Deus não castigasse o pecado, Ele estaria sendo conivente com o mesmo. Um dos principais problemas de nossa sociedade hodierna é  a falta de punição, que resulta em abrir as portas das prisões e anular os  votos matrimoniais, os quais têm perdido a significação e são quebrados com escasso sentimento de culpa ou remorso, sem receio das conseqüências e sem a mínima simpatia pelos outros,
"tendo cauterizada a sua
própria consciência"
(1 Timóteo 4:2). É isso que o homem mundano tem feito e não é esse o mundo criado por Deus.

         O homem foi criado à imagem de Deus para refletir o caráter divino em cada pensamento, palavra e ação. Mas ele deveria fazer isso consciente e voluntariamente, não como um robô ou um brinquedo de corda. Ele deveria ter livre arbítrio, de modo que pudesse voluntariamente e em amor satisfazer o projeto divino de sua existência.

         Adão e Eva escolheram voluntariamente desobedecer a Deus, destruindo, desse modo, a maneira como Deus os havia criado e com o pecado foram "destituídos da glória de Deus" (Romanos 3:23). Nenhuma quantidade de boas ações no futuro poderia pagar pelo pecado do passado. Pela exata definição de quem Ele é, Deus  não poderia tolerar a rebelião em Seu universo. Imediatamente Ele expulsou Adão e Eva do idílico paraíso que para eles havia criado - sem deixar, contudo, de graciosa e amorosamente oferecer-lhes uma alternativa. Eles e seus descendentes poderiam ser reconciliados com Ele, em Seus termos, é claro - ou então iriam sofrer a eterna separação, não exatamente do Jardim, mas de Sua presença. A escolha eles e seus descendentes deveriam fazer.

         Tendo sido criados para ter comunhão com Deus, o qual lhes havia dado a vida, sendo o Único que poderia sustá-la, a separação de Deus significava, portanto, uma sentença de morte. Deus deixou isso claro, desde  o princípio. Ele dera a Adão e Eva o mandamento mais fácil que havia - fora as centenas (e talvez milhares) de árvores do jardim, eles não poderiam comer de uma apenas. É isso, apenas uma! E Deus admoestou claramente: "Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás"
 (Gênesis 2:17). A morte não estava no fruto, porém na desobediência.

         Ninguém pode participar de um jogo sem regras. Certamente não seria razoável que Deus tivesse regras em Seu universo? Sem as leis físicas o universo (se é que ele ao menos pudesse existir) seria um caos inimaginável.

         Sendo o homem um ser moral, dele se exigem regras morais e permitir que estas sejam quebradas sem castigo seria gerar o caos moral. Vemos isso em menor escala nas famílias, onde pais amorosos, mas muito indulgentes, que não castigam seus filhos consistentemente, sempre que estes quebram as regras, fazem com eles se tornem rebeldes. A criança logo aprende que pode fazer o que bem desejar, arruinando depressa a vida de todos.

         A própria vida nos ensina a tolice de indagar por que deveria haver castigo para o pecado. Cada um entende por que isso deve acontecer, quer admita ou não. E exatamente aqui encontramos um sério empecilho à fé de muitas pessoas. Inquestionavelmente, a Bíblia ensina que o castigo do pecado é eterno. Jesus nos admoestou claramente sobre o inferno e a este se referiu como o "inferno de fogo, o fogo que nunca se apaga" (Marcos 9:45).

         Por que? É a queixa inevitável. Por que o castigo deveria ser eterno? Isso parece severo demais. Por que Deus não pode nos castigar com variados espaços de tempo, dependendo do que cada pessoa fez e em seguida perdoar-nos?   Por que iria Deus sentenciar cada pessoa, até mesmo um Hitler, ao castigo eterno? Por que deveria ser eterno o lago de fogo? A resposta está em Quem Deus é e no fato de que Ele criou o homem à Sua imagem (Gênesis 1:27). Vamos considerar cuidadosamente o que isto significa.

         A penalidade do pecado é a morte. Obviamente, a morte nos separa da vida. E como a vida provém de Deus, então a morte nos separa de Deus, o Doador da vida. Desse modo, não há remédio para a morte, exceto para o pecador que se torna puro e santo à vista de Deus, a fim de com Ele reconciliar-se. Ao contrário da crença católica romana de purgar os pecados nas chamas de um imaginário purgatório, nenhum castigo ao pecador poderia jamais purificá-lo do pecado.

         Deus é perfeito em santidade e não pode manter comunhão com pecadores. Não é uma questão de procedimento - se é ou não uma atitude de encorajamento ao pecado. É uma questão de como Deus é e da natureza exata do Seu ser Ele não pode comprometer-se com o mal nem retroceder em Sua Palavra. Não pode? Sim, "Ele não pode negar-se a si mesmo" (2 Timóteo 2:13). E por isso a penalidade do pecado é a morte eterna - não o extermínio, mas a separação de Deus, para sempre!

         O desafio voluntário a Deus não pode ser tolerado. Isso não significa severidade da parte dEle; é a inevitável conseqüência do pecado. Uma quebra nas leis morais de Deus não pode ser tolerada mais do que uma quebra nas leis físicas. A conseqüência é exigida pela natureza do próprio ato e pelo Deus que foi desafiado. A lei da gravidade não pode ser repentinamente revertida (apenas neste caso, por favor) para uma pessoa que cai do andar superior de um prédio de 50 andares, quer tenha ela caído acidentalmente, pulado ou sido empurrada.

         Deus pronunciou a penalidade do pecado. Se Ele retrocedesse em Sua Palavra, como poderíamos crer em alguma coisa que Ele falou? Pela exata definição de quem Deus é, e pela natureza do pecado, a penalidade do pecado deve continuar. Mas o homem jamais teria possibilidade de pagá-la. Somente Cristo poderia fazê-lo e Ele o fez. A prova de que Ele pagou totalmente a penalidade é que Ele venceu a morte, levantando-se do túmulo.  O único remédio para a morte é a ressurreição: "Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?" (João 11:25-26).

         Ninguém jamais experimentou a morte em toda a sua terrível totalidade e finalidade - sua absoluta separação de Deus, o "lago de fogo"... a segunda morte (Apocalipse 20:14). Ninguém, exceto Cristo, sobre o Qual foi dito: "Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos."

         Não é de admirar que, quando ELe tomou o nosso lugar na cruz, para receber o julgamento de Deus, tenha gritado: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?"
(Mateus 27:46).

         O homem rico no inferno é um trágico exemplo da cegueira espiritual a respeito da morte. Ele havia passado a  vida inteira tentando satisfazer a sua inata sede espiritual de Deus com riqueza e sucesso. Agora, no inferno, ele não pode escapar a esse trágico engano. Sua língua física está no túmulo, junto ao corpo morto, contudo ele imagina que ela está sendo castigada com a sede física e pede que Abraão mande a "Lázaro, que molhe na água a ponto do seu dedo e lhe refresque a língua" (Lucas 16:24). Ele havia desprezado a "água da vida", quando esta lhe foi oferecida por Deus e agora, no inferno, nem sequer reconhecia a causa de sua sede. A vida inteira ele havia buscado satisfação para a sua sede espiritual, sede que agora vai queimar para sempre, pois a "água da vida" por ele desprezada, só está disponível, enquanto se vive - a quem a desejar (Apocalipse 22:17).

         Jesus falou: "...Se alguém tem sede, venha a mim, e beba" (João 7:37). E sobre os rabinos Ele disse: "E não quereis vir a mim para terdes vida" (João 5:40).  Um gole físico de água é tão delicioso como é terrível o sofrimento da sede. A água é essencial aos nossos corpos físicos. Pois o mesmo acontece com a "água da vida". Ela é absolutamente essencial à vida da alma e do espírito. Desse modo, o "lago de fogo" será o tormento de uma sede espiritual além de toda descrição, assim como céu está além de toda a nossa imaginação [conforme Paulo diz na 1 Coríntios 2:9: "... As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam"].

         A sede abrasadora, que não pode ser saciada no "lago de fogo", jamais vai terminar, do mesmo modo como o êxtase indescritível no céu jamais terminará, por toda a eternidade: "... na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente" (Salmos 16:11). Deus nos criou para Si mesmo, para o Seu amor, para o Seu gozo e para a Sua comunhão. Ficar separado dEle na morte é agonizar em infindável tormento, ao contrário do que os redimidos experimentam no céu.

         Que possamos despertar completamente nesta vida para a verdade da nossa eterna herança, de modo que possamos amar e louvar ao Senhor como devemos, sem esperar pelo céu, a fim de fazê-lo. E que possamos ser por Ele usados para despertar muitos não salvos para irem a Cristo e poderem beber da "água da vida", enquanto ainda podem fazê-lo.



The Berean Call News Letter, julho 2004

Traduzida por Mary Schultze



quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A ÁGUA DA VIDA!!


A Água da Vida



        Como criação especial de Deus, vivemos em corpos físicos, num universo material, o qual vai deixar de existir:
"Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas" (2 Coríntios 4:18). Deus quer nos revelar o mundo eterno, o mundo não visto pelos olhos  físicos. Conquanto ainda ligados à terra, devemos buscar "as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. [E pensar] nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra" (Col. 3:1-2).


         Mas como Deus pode trazer a verdade espiritual à nossa mente carnal de habitantes da terra, nós que, por causa do pecado, dEle estamos separados e nada conhecemos nem desejamos a não ser o mundo material? Ele deve, com termos físicos que nos são familiares, trazer-nos o claro entendimento de um ardente anseio pela verdade e realidade espiritual. Ele se comunica através de palavras, muitas vezes em linguagem figurada.

        O reino físico tem sido consistentemente usado por Deus, exatamente desde o princípio (tendo começado com a árvore no Jardim do Éden), para nos conduzir à verdade espiritual. Paulo nos mostra como interpretar as lições objetivas de Deus:

        "Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois? Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito... Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho".  (1 Coríntios 9:9, 10, 11,14).

         Em Suas parábolas Jesus falou de árvores e frutos, de vinhas e uvas, de pastores e ovelhas, de semeadores e sementes,  de pão, do vento e do tempo, de nascimento e de morte, de fogo e de tormenta, etc. Mas não existe uma descrição mais forte em toda a Escritura do que a da água e da sede. Sem água não existe vida. A necessidade de água para manter a vida é assinalada pela sede, a qual pode ser tormentosa, e até mesmo fatal, quando não satisfeita.


         Ao contrário do que parecia, a mulher samaritana (por que teria Ele mudado o Seu caminho a fim de encontrá-la?), a qual Cristo, pelo Seu próprio desígnio encontrou no poço, obviamente estava muito sedenta por um desfecho que não conseguia encontrar. Como a maior parte da humanidade, ela não compreendia que a sua sede era espiritual e nada que fosse físico poderia aplacá-la. Contudo, nosso Senhor conhecia o seu coração.

        Ele lhe falou a respeito da água e da sede:

        "Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna"
(João 4:13-14).


Havia uma autoridade naquele estrangeiro, que a levou a acreditar no que Ele dizia. Ela pensava que Ele estava se referindo a uma água especial que iria mitigar definitivamente a sua sede, por isso falou: "SENHOR, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la" (verso 15). Na verdade, Ele iria expor sua vida de decepções e lamentações, quando lhe disse: "Vai, chama o teu marido, e vem cá"
(verso 16). A resposta foi: "Não tenho marido" (verso 17). O que Cristo lhe disse em seguida deve ter-lhe chocado e cortado o coração:
"Disseste bem: Não tenho marido; porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade"
(versos 17 e 18). Ela titubeou e disse: "Senhor, vejo que és profeta" (verso 19). Como é que Ele sabia dos detalhes íntimos de sua vida?


         A conversa a seguir expõe a sua sede espiritual. Cristo lhe revelou que era o Messias por ela esperado. Aquela revelação conquistou-lhe o coração. Ela acreditou nEle e depressa correu até a cidade para contar as boas novas de que o Messias estava, naquele momento, no poço de Jacó. Em sua pressa de dar testemunho do ÚNICO que a ela havia se revelado, aplacando-lhe a sede espiritual, "deixou a mulher o seu cântaro"
(verso 28), com o conteúdo que não satisfazia.


        Quando a Bíblia diz que em nosso estado natural herdado de Adão estamos
"mortos em ofensas e pecados" (Efésios 2:1), sabemos, instintivamente, que essa referência não diz respeito à morte física. Recebemos a vida física ao nascer neste mundo, porém, tragicamente, nascemos mortos pela herança de Adão.
Adultos responsáveis precisam nascer de novo na família de Deus, antes que chegue a morte física. Esse novo nascimento é obra do Espírito Santo através do Evangelho. Quando isso não acontece, esses adultos continuam espiritualmente
mortos, no tormento da eterna separação de Deus.



        Cristo oferece um lampejo dessa insuportável sede espiritual gerada pela separação de Deus,  em linguagem física (na história do rico que foi para o inverno). Diz o homem rico:
"estou atormentado nesta chama" (Lucas 16:24). O tormento dessa eterna separação foi sofrido de modo total, em lugar de todos nós, quando Cristo, na cruz, suportou as agonias do inferno. Ele gritou: "Tenho sede!" (João 19:28) ... "Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste!" (Mateus 27:46). O tormento espiritual de um homem condenado é de fato mais crucial do que poderia ser a dor física.


         A maioria dos habitantes da terra não compreende  que os homens são seres não físicos, mortos para Deus ao nascer, embora temporariamente ocupando corpos físicos. Desesperadamente sedentos de vida espiritual, a qual poderá ser recebida de Deus e em Seus termos, os homens buscam, sem sucesso algum, satisfazer a sua sede espiritual através de riquezas e prazeres terrenos.

         Depois que Paulo se converteu e colocou a sua fé em Cristo, ele se regozijava apenas naquilo que um cristão pode conhecer: "... mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia" (2 Coríntios 4:16). O homem interior vive pelo alimento espiritual que a Palavra de Deus lhe oferece.

        A maioria das pessoas não entende que a sua morte física não será o fim da existência da alma e do espírito que têm habitado o seu corpo físico. A morte encerra toda oportunidade de nos rendermos voluntariamente a Deus,
pois  "... aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Hebreus 9:27).


         A paixão materialista por popularidade, prazer, riqueza e poder tem sido o objertivo do Ocidente, desde os escritórios da Wall Street, passando pelas academias, até os atletas. O mundo propagandista de Holywood manipula essa paixão, usando uma avassaladora atração dirigida à juventude, no sentido de tornar a geração visada cada vez mais filiada a Satanás do que a geração anterior.

         Mais e mais a Palavra de Deus tem comprovado ser verdadeira:

"Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (1 João 2:15-17).

Satanás engana bilhões de almas com as falsas religiões que parecem oferecer um livramento das paixões carnais, mas que, na verdade, conduzem ao inferno. Os muçulmanos dão as costas ao materialismo ocidental e querem morrer na jihad (guerra santa), com exceção de quem vem para o Ocidente, conquanto tentando permanecer fiel ao Islamismo, e com exceção, é claro, dos governantes déspotas ricos e auto-indulgentes dos países muçulmanos, os quais jamais oferecem seus filhos para serem mortos na jihad. E o que os homens-bomba suicidas esperam como recompensa do seu sacrifício? Um "paraíso" repleto de tudo que eles condenam no Ocidente: sexo ilimitado, abundância de todos os deleites que os apetites carnais possam oferecer, rios de vinho (proibido aos muçulmanos nesta vida) e a capacidade super-humana de mergulhar na "concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida".

Outros milhões têm sido capturados na ilusão do misticismo oriental do Hinduísmo, o qual parece rejeitar as paixões mundanas, porém se apóia exatamente no principal orgulho egoísta que capturou o coração de Eva - o desejo de se tornarem deuses. Gurus do Oriente têm se tornado ricos, vendendo a divinização através da auto-realização a milhões no Ocidente, com uma religião disfarçada de Ioga e Meditação Transcendental  - um tipo de engodo que agora está assolando até mesmo as igrejas [emergentes]. Contudo, como já documentamos em nosso livro "Yoga and the Body of Christ"  (Ioga e o Corpo de Cristo), esses gurus têm sido vítimas de sua própria "concupiscência da carne, ... dos olhos e da soberba da vida", da qual têm prometido livramento aos seus seguidores.

Esses "homens-deuses" comprovam a veracidade da Escritura: "Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo"  : (2 Pedro 2:19).

Esses agentes de Satanás prometem o cumprimento da paixão herdada de Eva, de alguém tornar-se o seu próprio deus e satisfazer todo o seu desejo carnal. O Movimento Nova Era, prometendo a própria divinização do poder da mente no sentido de se conseguir alcançar qualquer ambição carnal, prossegue do ponto  onde terminou a revolução hippie, tendo recondicionado o misticismo oriental como "potencial humano", conseguindo agrilhoar muitos milhões de almas com a "soberba da vida". Ele desencadeou um breve tumulto de interesse na dimensão "espiritual" e logo deixou almas pulverizadas e fechadas para Deus. O seu mantra permanece: "Sou espiritual, mas não religioso!". Isso quer dizer: "Não imponha suas regras religiosas sobre mim!".

O movimento mais recente é o dos "Novos Ateus" liderado pelo famoso evolucionista Richard Dawkins e seu pupilo Sam Harris. Eles afirmam que crer em Deus não é somente uma grande ilusão, mas um mal, do qual o mundo precisa ser libertado, estando determinados a fazer isso. Seus livros lideram a lista de bestsellers do New York Times. Eles ridicularizam os que acreditam em Deus, usando argumentos como os seguintes, de Sam Harris:

"Sem dúvida, as pessoas de fé garantam entre si que Deus não é responsável pelo sofrimento humano. Mas como podemos entender de outro modo e afirmar que Deus é tanto Onisciente como Onipotente...? Se Deus existe, ou Ele não pode fazer coisa alguma para deter as grandes calamidades, ou então não se importa com elas. Portanto, Deus é impotente ou é mau. Leitores piedosos executam agora a seguinte pirueta: Deus não pode ser julgado meramente pelos padrões humanos de moralidade. Mas, sem dúvida, os padrões humanos de moralidade são exatamente os que os fiéis usam para estabelecer a bondade de Deus em primeiro lugar... Se Ele existe, esse Deus de Abraão é não somente indigno da imensidão da criação, como é também indigno do homem. Existe outra possibilidade, é claro, de que esse Deus bíblico seja uma mera ficção" (Excerto do Manifesto Ateísta - www.truthdig.com).

Pelo visto, aparentemente Deus é responsável pela recusa de cada filho Seu de comer sua refeição ou de negligenciar o trabalho de casa, e por toda briga de namorados ou ação egoísta. Deveria Ele fazer todo mundo agir como santos perfeitos?
Se Ele tivesse criado uma humanidade de robôs programados para fazer tudo que Ele ordenasse, então poderia ser censurado por não deter o mal, o sofrimento e a morte - mas também não haveria amor algum. Todo mundo sabe que tem o poder da escolha (livre arbítrio), o qual é usado continuamente, até mesmo a ponto de levantar o punho contra Deus, amaldiçoá-Lo e viver em completa rebelião contra as Suas leis escritas em cada consciência, sem desculpa alguma.


Mas como poderia o poder de escolha, que nos torna possível nos amarmos uns aos outros, ser responsabilizado pelo sofrimento de tantas crianças inocentes, pela doença, inanição e abuso? E os "desastres naturais", como tornados, furacões, terremotos, tsunamis, serpentes venenosas, animais predadores, devorando-se uns aos outros e devorando os homens, etc.? Será que estes podem ser atribuídos à rejeição humana de Deus?
A Bíblia deixa claro que todo o universo foi afetado pelo pecado de Adão e aderiu a Satanás em sua rebelião contra Deus:
"Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora" (Romanos 8:22). A libertação disso vai acontecer em parte durante o Reinado Milenar de Cristo na Terra (Isaías 11:7; 65:25) e totalmente, com os novos céus e a nova terra: "E VI um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe... E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão".  (Apocalipse 21:1 e 22:3).


         Mas como poderia um Deus amoroso ser tão vingativo a ponto de mandar atormentar nas chamas eternas do Lago de Fogo os que rejeitaram Cristo? Não foi essa a escolha de Deus para a humanidade. Ele tanto nos ama que fez desse amor o ingrediente essencial de nossa própria existência. Então, estar na totalidade do Seu amor seria o êxtase; estar finalmente separado dEle, sem possibilidade alguma de recuperação seria uma tortura. Esta é a razão pela qual o inferno será tão tormentoso, do mesmo modo como o céu será tão deleitoso em prazer e alegria. A melhor maneira de descrever a realidade espiritual em termos compreensíveis é usando a água e a sede. A água tem um gosto tão bom por ser essencial à nossa vida. a sede machuca tanto pela mesma razão. Deus não nos criou para vivermos sedentos, mas para bebermos do Seu amor. Não é mais razoável culpar Deus pelas nossas tolices, fracassos e tristezas do que dizer: "O Diabo me levou a fazer isso"  [como os pentecostais].

         Uma escola de peixes está nadando alegremente em um lago. Um dos alunos vê um homem sentado numa cadeira, com uma vara de pescar na mão, fumando um cigarro. "Esse ali é que sabe viver realmente", exclama o peixe. Movido pela inveja, ele pula para o chão. Exausto, tentando desesperadamente apanhar a vara de pesca e sentar na cadeira, o "peixe fora d'água" dá o seu último suspiro.

         Richard Dawkins e Sam Harris estão em marcha, liderando um grupo de ateus, numa excursão de "vandalismo contra Deus". Referindo-se ao caso do peixe debatendo-se na sujeira e na lama, com as guelras abrindo e fechando em desespero, Dawkins declara em triunfo: "Que espécie de 'deus'  iria criar um peixe para sofrer daquele modo?"

         Os ateus continuam discutindo com grande entusiasmo como a evolução, a seleção natural e sobrevivência do mais apto (teoria ineficaz e cruel ao extremo) têm produzido maravilhosas criaturas como eles mesmos, com tal sabedoria, a ponto de analisarem as forças cósmicas que os produziram e condenar um Deus que afirmam não existir [Esses homens são uma réplica perfeita do orgulhoso Lúcifer, querendo desafiar Deus].

         Deus não fez o peixe sofrer "daquele modo". Ele o criou para nadar no lago, o seu habitat dado por Deus. Mas o peixe não se contentou com aquilo para o que Deus o havia criado e tentou fazer a sua própria vontade. Nada pode ser mais razoável do que o fato de que o Criador está a cargo do Seu universo - só que o homem se rebelou!

         Exatamente como Deus criou o peixe para nadar na água, Ele criou o homem para nadar eternamente no oceano do Seu amor! Ele tanto nos fez assim que o nosso maior prazer - aliás, toda a nossa vida - seria estar recebendo o Seu amor e retribuindo-Lhe esse amor. Contudo, rejeitamos o Seu amor, cuspimos em Sua face e desafiadoramente seguimos o nosso próprio caminho.

         Somente Deus conhecia o tormento infinito que iríamos sofrer como resultado de nossa rebelião e por isso entregou o Seu Filho para pagar a penalidade devida por todo pecador. Jesus descreveu o Lago de Fogo (Apocalipse 20:15) como o destino final dos rebeldes, um lugar de insuportável sede. Ele não pretendia que pessoa alguma fosse para lá. O Lago de Fogo não foi feito para o homem, mas  "para o diabo e seus anjos" (Mateus 25:41). Do princípio ao fim da Bíblia, Deus continua implorando: "Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida" (Apocalipse 22:17).


         O céu é para os que aceitam a oferta de beber continuamente da água da vida: "E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro" (Apocalipse 22:1), ao contrário do "pranto e ranger de dentes"  (Mateus 8:12;13:42, 50;22:13;24:51;25:30) e "choro e ranger de dentes" (Lucas 13:28) para os que estão no Lago de Fogo. Para os que estão no céu, diz Apocalipse 7:16-17: "Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem sol nem calma alguma cairá sobre eles. Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima".

            Vivamos os dias que nos restam na alegria desta promessa, levando as boas novas a todos os que desejarem ouvi-las.



 Dave Hunt

Traduzido por Mary Schultze

http://www.cpr.org.br/Mary.htm

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

DESAFIANDO O DEUS DE ISRAEL!!

Desafiando o Deus de Israel
Abraão foi chamado de “amigo de Deus” (Tg 2.23), uma expressão que não é usada para referir-se a qualquer outra pessoa na Bíblia. Como resultado desse relacionamento, Deus fez com esse “amigo especial” uma “aliança perpétua” (Gn 17.7,13,19; 1 Cr 16.16-18; Sl 105.8-12, etc.), que durante o decurso da História é estendida aos seus descendentes.
Essa aliança envolvia: (1) a Terra Prometida e (2) o Messias prometido. Somente através do Messias Deus poderia cumprir o que prometera a Abraão, Isaque e Jacó: “em ti [e na tua descendência] serão benditas todas as famílias [nações] da terra” (Gn 12.3; 22.18; 26.4; 28.14). A promessa de Deus em relação à terra foi clara: “porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre” (Gn 13.15); “...fez o SENHOR aliança com Abrão ...À tua descendência dei esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates” (Gn 15.18); “toda a terra de Canaã, em possessão perpétua...” (Gn 17.7-8).
“Não fosse o Senhor, que esteve ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós, e nos teriam engolido vivos...”
(Sl 124.2-3).


Abraão teve vários filhos. De Hagar, a serva egípcia de Sara, gerou a Ismael. Com Sara, teve Isaque. Seis outros nasceram de Quetura, com quem se casou após a morte de Sara (Gn 25.1-2).
Sara era estéril. Nem ela nem Abraão podiam crer na promessa de Deus de que ela teria um filho (Gn 16.1-4). Abraão estava satisfeito com Ismael e pediu que a aliança com Deus fosse cumprida através dele (Gn 17.18). Porém, Ismael era um filho ilegítimo, nascido da falta de fé de Abraão e de Sara, e não o filho que Deus havia prometido a eles. Rejeitando o apelo de Abraão, Deus declarou enfaticamente: “De fato, Sara, tua mulher, te dará um filho, e lhe chamarás Isaque; estabelecerei com ele a minha aliança, aliança perpétua para a sua descendência. Quanto a Ismael... abençoá-lo-ei... A minha aliança, porém, estabelecê-la-ei com Isaque, o qual Sara te dará à luz” (Gn 17.19-21).

Isaque Recebeu a Promessa

As Escrituras repetem de forma clara que através de Isaque, nascido milagrosamente de Abraão e Sara, seriam cumpridas as promessas de Deus a respeito da terra e do Messias. A Bíblia também mostra que Ismael não era o filho cujos descendentes iriam possuir a Terra Prometida. Essas declarações são tão claras e repetidas na Palavra de Deus, que não podem ser honestamente questionadas. Mesmo assim, os árabes, que afirmam ser descendentes de Ismael, reclamam para si as promessas feitas por Deus a Isaque e, através dele, aos judeus. A afirmação do islã, de que Ismael era o filho da promessa, não apenas contradiz as Escrituras, mas, de maneira irracional, dá prioridade ao filho ilegítimo sobre seu meio-irmão, que é o verdadeiro herdeiro.
Ao distinguir Isaque dos outros filhos de Abraão, sem sombra de dúvidas, Deus o chama de o “único filho” de Abraão e ordena que o sacrifique no monte Moriá (Gn 22.2). Isaque, submetendo-se ao mandamento de Deus, permitiu que seu pai o amarrasse sobre o altar. Então, Deus o livrou no último instante, quando já havia comprovado a completa obediência tanto do pai quanto do filho (Gn 22.1-14). Esse é o testemunho das Escrituras: “Deus não pode mentir” (1 Sm 15.29; Sl 89.35; Tt 1.2, etc.) e Seus “dons e a vocação... são irrevogáveis” (Rm 11.29).

Esaú e Jacó

Isaque teve dois filhos gêmeos: Esaú e Jacó. Contrariando o costume daqueles tempos, ao invés de Esaú, o primogênito, Deus escolheu Jacó, o filho mais novo, através de quem Suas promessas seriam cumpridas. Antes dos gêmeos nascerem, Deus revelou especificamente à mãe deles, Rebeca, o que aconteceria com os seus descendentes: “Duas nações há no teu ventre, dois povos... o mais velho servirá ao mais moço” (Gn 25.23).
A profecia não tratava de Esaú e Jacó como indivíduos (na verdade, Esaú nunca serviu a Jacó enquanto viveram), mas referia-se às nações que descenderiam deles. Os árabes são os descendentes tanto de Ismael quanto de Esaú, pois este e seus descendentes casaram com a descendência de Ismael (Gn 28.9).

A Promessa Renovada

Os judeus, por outro lado (isolados no Egito por 400 anos e levados à Terra Prometida como um grupo étnico distinto), são os descendentes de Abraão através de seu filho Isaque e de seu neto Jacó, o qual teve seu nome mudado por Deus para Israel. A promessa da terra e do Messias foi renovada por Deus a Isaque: “a ti e a tua descendência darei todas estas terras... Na tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra” (Gn 26.3-4). Deus também disse a Jacó (Israel): “A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra” (Gn 28.13-14).
Os judeus, isolados no Egito por 400 anos e levados à Terra Prometida como um grupo étnico distinto, são os descendentes de Abraão através de seu filho Isaque e de seu neto Jacó, o qual teve seu nome mudado por Deus para Israel.


Sem dúvida alguma, a terra de Israel (“desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates” – Gn 15.18) foi entregue perpetuamente aos judeus. Deus declarou: “Também a terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha; pois vós sois para mim estrangeiros e peregrinos” (Lv 25.23). Em flagrante desobediência, os líderes de Israel têm trocado terras por “paz” com os palestinos, que juraram exterminar Israel. O povo de Israel abandonou a convicção bíblica expressa pelo seu primeiro premiê, David Ben Gurion:
Nosso direito a esta Terra Santa está totalmente assegurado, é inalienável e eterno... Este direito... não pode ser retirado sob circunstância alguma... [os israelitas] não têm poder nem jurisdição para negá-lo às gerações vindouras... até que venha a grande redenção, nunca devemos abrir mão desse direito histórico.[1]

O Povo Escolhido

Para assegurar que toda a humanidade entenda que os judeus são o povo escolhido de Deus, a palavra “Israel” predomina na Bíblia, sendo citada 2.565 vezes em 2.293 versículos. Em contraste, os árabes são mencionados apenas dez vezes.
Qualquer pessoa que afirma acreditar na Bíblia deve entender que existe apenas uma nação e um povo -  somente os judeus -  a quem Deus entregou a terra e fez promessas específicas e perpétuas. Os judeus são o único povo que continua existindo enquanto nação (mesmo quando foram dispersos), que tem sua genealogia preservada nas Sagradas Escrituras e que é identificável no mundo de hoje. Se não fosse assim, milhares de promessas feitas por Deus não seriam cumpridas e Ele seria um mentiroso.

Yahweh não é Alá

“Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam” (Sl 122.6).


Já documentamos em outras oportunidades que o Deus da Bíblia (Yahweh, Javé) e o Alá do Corão não são o mesmo. Yahweh refere-se a si mesmo 12 vezes como “o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó”. Por um número impressionante de vezes, 203 em 201 versículos (de Êxodo 5.1 até Lucas 1.68), Ele é chamado de “Deus de Israel”, mas nunca de “Deus de Ismael”.
Em contraste, o islã e Alá expressam seu ódio por Israel e por todos os judeus. Apenas esse fato já seria suficiente para distinguir Alá de Yahweh. O Corão e a tradição islâmica citada no hadith repetidamente vilificam os judeus:
“...judeus... destinamos... [a] ...eles um castigo doloroso” (Sura 4.160-161); Alá “os amaldiçoou por sua descrença” (4.46). “que Deus os combata” (9.30) “Estão condenados ao aviltamento onde quer que se encontrem...” (3.112); “A ressurreição dos mortos não ocorrerá até que os muçulmanos guerreiem contra os judeus e os matem; as árvores e as rochas dirão: ó muçulmano... há um judeu atrás de mim, venha e o mate”.[2]

Perseguição aos Judeus

Infelizmente os árabes, persistindo na sua falsa alegação de que Ismael era o filho legítimo da promessa, rebelaram-se contra a Palavra de Deus. Seu ódio ciumento dos descendentes de Isaque (exacerbado pelos ensinamentos e pelos exemplos de Maomé e do islã) deixou uma mancha na História da humanidade, que não encontra comparação nem mesmo com o que Hitler fez.
Por 1300 anos os judeus sofreram tratamento desumano e demonstrações periódicas de violência nos territórios muçulmanos. Tomemos o Marrocos como exemplo do que ocorreu em grande parte das áreas dominadas pelos árabes. Lá os judeus foram forçados a viver em guetos chamados de mellahs. Um historiador escreveu que estupros, agressões, queima de sinagogas, destruição de rolos do Torá e assassinatos eram “tão freqüentes que é impossível listar a todos”.[3] Usando apenas mais um exemplo, na cidade de Fez, em 1032, cerca de 6.000 judeus foram assassinados e muitos outros “destituídos de suas mulheres e propriedades”.[4] Esse tipo de massacre continuou periodicamente naquela cidade e em todo o Marrocos (bem como em outros países muçulmanos). Curiosamente, a feroz perseguição de 1640, na qual mulheres e crianças foram assassinadas, foi chamada de al-Qaeda [o mesmo nome do grupo terrorista de Osama bin Laden]. Chouraqui (p. 39) diz que os judeus sofreram “tamanha repressão, restrições e humilhações que sobrepujaram qualquer coisa que possa ter ocorrido na Europa”.[5]

A Esperança de Redenção

A maioria dos judeus de hoje não acredita nas promessas que Deus fez a Abraão, Isaque e Jacó. Mesmo assim, através dos séculos sempre existiu uma minoria que creu nessas promessas e chegou até mesmo a reconhecer e admitir que a dispersão dos judeus era um sinal do julgamento de Deus sobre eles. Maimônides, o famoso médico e filósofo judeu, cuja família teve de fugir da perseguição islâmica na Espanha, justamente para a cidade de Fez (tendo que fugir posteriormente do Marrocos), escreveu em sua “Epístola Para o Iêmem” (1172):
Um... dos principais aspectos da fé de Israel é que o futuro redentor de nosso povo irá... reunir nossa nação, ajuntar todos os exilados, redimir-nos de nossa degradação... Tendo em vista o grande número de nossos pecados, Deus nos espalhou em meio a esse povo, os árabes, que nos perseguiram furiosamente... Nunca uma nação nos perturbou, degradou, rechaçou e nos odiou tanto quanto eles...[6]

A Perseguição Continua

Essa perseguição continua contra os poucos milhares de judeus que ainda não escaparam dos países muçulmanos. Em uma carta datada de 10 de julho de 1974, escrita ao então Secretário-Geral das Nações Unidas Kurt Waldheim, Ramsey Clark declarou: “Os judeus que vivem na Síria hoje estão sujeitos às perseguições mais cruéis e desumanas... Jovens, mulheres e crianças são arrastados pelas ruas. Os velhos são agredidos. Casas são apedrejadas... Eles não podem mais viver em paz e são incapazes de ter vidas dignas... Muitos foram presos, detidos, torturados e mortos”.
Os muçulmanos alegam falsamente que a animosidade contra os judeus é o resultado da fundação do Estado de Israel. Mas, obviamente, esse não é o caso, tornando essa mentira realmente embaraçosa. As denúncias religiosas oficiais do Corão contra os judeus já existiam há mais de 1200 anos antes do ressurgimento de Israel. Joan Peters escreveu em seu livro “From Time Immemorial” [Desde Tempos Imemoráveis]:
“Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o Senhor vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais...” (Êx 7.7-8). Na foto: jovens na rua Ben Yehuda, em Jerusalém.


O falecido rei Faisal da Arábia Saudita disse a Henry Kissinger [um judeu]: “...antes que o Estado judeu fosse estabelecido, não existia nada que pudesse prejudicar as boas relações entre árabes e judeus...” Ironicamente, nenhum judeu podia entrar e viver na Arábia Saudita [pois Maomé os havia matado ou vendido como escravos] e isso continua válido até hoje. O rei Hussein da Jordânia afirmou: “os relacionamentos que possibilitaram que árabes e judeus vivessem juntos por séculos como vizinhos e amigos foram destruídos pelas idéias e atitudes sionistas”. Entretanto, a Constituição da Jordânia declara que “um judeu” não pode tornar-se cidadão da Jordânia.[7]
A Jordânia anexou a maior parte do território da “Palestina” que a resolução 181 das Nações Unidas havia destinado para os “palestinos” em novembro de 1947, destruindo os locais de culto judaicos e expulsando todos os judeus, meses antes do nascimento do Estado de Israel.

Ódio aos Judeus

O ódio aos judeus, por parte dos muçulmanos obedientes a Maomé, e o maligno apoio que recebem da maior parte do mundo continuam até hoje numa determinação satânica de exterminar o Estado de Israel. Esse ódio indica qual é a chave para os problemas no Oriente Médio, que seriam resolvidos se os muçulmanos e o mundo aceitassem e obedecessem ao que está escrito claramente na Bíblia.
É óbvio que o mundo está entregue a uma imoralidade crescente e busca cegamente a “concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida” (1 Jo 2.16). Isso demonstra sua contínua rebelião contra Deus. Até mesmo os ímpios sabem (Rm 1.32) que todos que participam dessas coisas serão considerados culpados pelo “Juiz de toda a terra” (Gn 18.25; Jo 5.22; Ap 20.12-15). Entretanto, existe outra grave demonstração de desobediência a Deus, que chega a ser um desafio aberto, na qual todo o mundo está unido: o apoio aos descendentes de Ismael para o estabelecimento de um “Estado Palestino” dentro de Israel.
A persistência dessa exigência ilegítima, apoiada pelo resto do mundo, constitui uma rejeição clara do testemunho das Escrituras e rebelião contra Deus. Esses dois crimes deram origem à crise que o Oriente Médio enfrenta hoje. Em seu livro Personal Witness [Testemunha Ocular], Abba Eban registrou que, na ocasião em que o presidente americano Harry Truman queria reconhecer Israel, George C. Marshall, seu secretário de Estado, declarou com aspereza: “Eles não merecem ter seu próprio Estado, eles roubaram aquele país”.

As Profecias se Cumprem

O duplo cumprimento das profecias bíblicas sobre Israel, que podemos acompanhar nos noticiários diários, está se aproximando do clímax predito para nosso tempo – o final dos “últimos dias”. Em outras publicações temos mostrado o pano de fundo dessas profecias e o alcance geral da sua consumação atual, especialmente através do nazismo e de seu parceiro e atual sucessor no anti-semitismo e terrorismo, o islã (veja os livros “Hitler – O Quase-Anticristo” e “Jerusalém – Um Cálice de Tontear”).
O cumprimento das profecias bíblicas nos eventos atuais é um assunto de grande interesse para os não-cristãos: ele oferece provas irrefutáveis da existência de Deus e de que a Bíblia é Sua Palavra infalível para a humanidade. Desse modo, trata-se de um excelente instrumento de evangelismo. Esperamos que nossos leitores façam amplo uso dos materiais que oferecemos com esse propósito.
O “peso” profético de Israel e de Jerusalém continuará aumentando até ameaçar esmagar todo o mundo em um conflito global. Tragicamente, uma prévia desse conflito já se manifestou através do flagelo do terrorismo internacional. Também nesse caso, Israel tem sido o bode expiatório.

O Único Deus

Yahweh afirma repetidas vezes que Ele é o único Deus verdadeiro: “Há outro Deus além de mim? Não, não há outra Rocha que eu conheça” (Is 44.6,8). Ele também declarou: “fora de mim não há salvador” (Is 43.11; Os 13.4). Isaías profetizou que o Messias prometido, que viria para pagar a penalidade pelo pecado conforme exigia Sua própria justiça, seria “Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6). Por isso, Jesus declarou “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). Ele alertou que todos que negarem que Ele é Yahweh, o Salvador, perecerão e ficarão eternamente afastados dEle e do céu: “...se não crerdes que Eu Sou,* morrereis nos vossos pecados” (Jo 8.24), mas também prometeu: “Se alguém guardar a minha palavra, não provará a morte, eternamente” (Jo 8.52b). Precisamos fazer com que essa mensagem do Evangelho fique clara para todos. (Dave Hunt - TBC 1/02 - http://www.beth-shalom.com.br)
* Para entender melhor as implicações dessa afirmação de Jesus, é necessário analisar todo o contexto em João 8.12-59. No versículo 58 Jesus disse: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou”. A respeito, Charles Ryrie diz na Bíblia Anotada: “A expressão Eu Sou denota existência eterna absoluta, não apenas existência anterior à de Abraão. É uma reivindicação de ser o Javé do A.T. A reação dos judeus (v. 59) a esta suposta blasfêmia demonstra que eles entenderam claramente o significado desta reivindicação de Cristo” (N.R.).

Notas:

  1. “Betrayal”, American Friends of Women for Israel’s Tomorrow, Norfolk, VA (757) 857-4708, anúncio no The International Jerusalem Post, 30/11/2001, p.11.
  2. Moshe Ma’oz, The Image of the Jew in Official Arab Literature and Communications Media (Hebrew University of Jerusalem, 1976), p.14.
  3. H. Z. Hirschberg, A History of the Jews in North Africa (Leiden, Holanda, 1974).
  4. Livro de Orações Diárias, Ha-Siddur Ha-Shalem (New York, 1972), pp. 456-457.
  5. Andre Chouraqui, Between East and West: A History of the Jews of North Africa (Philadelphia, PA, 1968), p. 51.
  6. Isadore Twersky, ed., A Maimonides Reader (New York, 1972), pp. 456-457.
  7. Joan Peters, From Time Immemorial (...), p.72.
Publicado anteriormente na revista Notícias de Israel, abril de 2002.