quinta-feira, 11 de março de 2010

A REDENÇÃO BÍBLICA II



Dave Hunt
Antes de ser criado o homem, Satanás já se havia rebelado, carregando com ele inúmeros anjos. Quantos anjos foram e há quanto tempo não sabemos. Tragicamente essa insurreição se espalhou do céu para a terra. Incitado por satã o primeiro homem  e a primeira mulher desafiaram o seu Criador, trazendo destruição e morte sobre toda a nova raça criada por Deus à Sua imagem.
Esse motim não pegou Deus de surpresa, mas aconteceu conforme Ele havia antes conhecido. Ele ainda estava no trono do universo. Como pôde o homem rebelar-se contra a absoluta autoridade de Deus? Claro que, soberanamente, Deus havia dado ao homem a capacidade de submeter-se voluntariamente a Ele em amor. Contudo a capacidade de dizer sim é insignificante sem a equivalente habilidade de dizer não.
Desse modo, a porta que Deus abriu à submissão por amor poderia ser fragorosamente fechada em voluntária revolta - como o fizeram Adão e Eva.
Alguns cristãos sugerem que Deus queria que Adão e Eva quebrassem o seu mandamento de não provar do fruto da árvore do conhecimento. Embora qualquer tipo de pecado contrarie a vontade de Deus, mesmo assim Ele deve ter permitido que o pecado entrasse no mundo, a fim de alcançar o seu propósito maior para a humanidade, a qual Ele ama com infinito amor - o único tipo de amor que Deus, que é amor, pode dedicar.
A anarquia que foi desencadeada através de um aparentemente pequeno ato de desobediência levou Caim a cometer o primeiro assassinato contra o seu irmão Abel, tendo chegado a monstruosas proporções, conforme Gênesis 6:5:  "E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente".
Que Deus não havia decretado nem causado o pecado está claro, conforme Gênesis 6:5-8.
Será que Deus não poderia simplesmente ter perdoado Adão e Eva, dando-lhes uma nova chance? Não. Isso não deveria ser feito por várias razões. Antes de tudo, para fazê-lo, Deus teria de voltar atrás em sua palavra. Ele havia jurado que o castigo da desobediência  seria a morte, isto é, a eterna separação dele, a fonte da vida. A perfeita justiça de Deus exigia o pagamento da penalidade. Pois se Deus tivesse posto de lado essa penalidade, ele estaria minando a sua integridade e colocando tudo o mais que Ele havia dito em questão, transformando-se em parceiro do pecado do homem. Não importa o quanto Deus amasse o homem e desejasse perdoá-lo, o seu amor infinito não poderia anular sua justiça igualmente infinita.
Logo no 1º capítulo da Bíblia, somos confrontados com os itens chaves que têm sido debatidos  pelos filósofos e teólogos, durante milhares de anos. Porque Deus iria criar criaturas as quais Ele sabia que iriam rebelar-se contra Ele e que então seriam condenadas pela sua santidade ao castigo eterno? Não havia outra maneira e porque os rebeldes seriam pais, filhos, tios, tias, etc. dos bilhões de redimidos que abençoadamante iriam habitar para sempre na amorosa presença de Deus. Estes não poderiam existir sem os primeiros e a todos deveria ser dada igual  oportunidade de crer no evangelho.
Mas sendo Deus todo poderoso, por que não poderia Ele ter evitado que Adão, Eva e os seus descendentes pecassem? Os ateus argumentam "se Deus é tão fraco para fazer cessar o mal e o sofrimento, então Ele não é Deus. E se Ele é tão poderoso para fazê-los cessar e, contudo não o faz, então Ele é um monstro. Nesse caso, o mal e o sofrimento negam a existência de Deus".
Esse argumento é uma tolice diante do óbvio fato demonstrado na experiência diária: o Criador do homem deu-lhe inteligência para chegar às suas próprias conclusões e a prerrogativa de fazer suas próprias escolhas. Sem essas habilidades os homens nem poderiam amar a Deus nem ao próximo. Para Deus fazer cessar todo o mal Ele teria de dirigir toda a vontade que deu à humanidade. Isso transformaria o homem num robô programado para viver uma vida insignificante. Esses bonecos "bem comportados" não seriam para a glória de Deus. Somente criaturas com vontade própria poderiam verdadeiramente glorificar a Deus com adoração voluntária, obediência e amor oriundo do seu coração.
O "Poder" não poderia abolir o pecado e o sofrimento que ele produz sem destruir o pecador, visto como o coração não pode ser mudado pela força. Nem à vontade nem o amor podem ser coagidos.
Se Deus induzisse o homem a fazer o bem ou o mal, então a "escolha" para fazê-lo não seria do homem, mas de Deus. É axiomático que, apesar do seu infinito poder Deus não poderia induzir o homem evitar o mal, mas procurar persuadi-lo em amor e misericórdia. Contudo, existe uma ampla escola de cristianismo, a qual declara que Deus poderia fazer cessar todo o mal e sofrimento e, contudo, Ele se agrada em não fazê-lo. Como podem eles atribuir a Deus essa grave falta de amor e compaixão pelos que Ele poderia resgatar, mas em vez disso os predestina à condenação? Eles argumentam que: 1 – Ele é soberano e pode fazer o que lhe aprouver. 2 – Ele não é obrigado a salvar pessoa alguma. 3 – Não podemos julgá-lo pelos nossos padrões.
Nenhum desses argumentos diz respeito ao assunto. Um soberano "pode fazer o que quiser", em alguns aspectos, porém não no sentido moral. De fato, quanto mais absoluto é o poder do soberano, maior é a sua responsabilidade de mostrar compaixão por aqueles cujos destinos ele controla. A soberania não pode desculpar a falta de amor – nem poderia ou deveria,  Deus que é amor, esconder-se atrás de sua soberania para esse fim. Cristo nos ordena em Mateus 5: 44, 45: "Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos".
Ninguém ama, abençoa ou faz o bem quando deixa sofrer aqueles que poderia livrar do sofrimento e muito menos os predestina ao tormento eterno. Esse comportamento num homem seria condenável, então certamente não poderia ser atribuído ao "nosso Pai que está nos céus", o qual devemos imitar.
A misericórdia também não deve ser motivada pela obrigação, mas pela compaixão, isto é, "Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo"  (Tito, 3: 5). Deus disse a Moisés: "... e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer."  (Êxodo 33:19). Longe de delimitar Suas misericórdias, que  "são sobre todas as suas obras" (Salmos 145:9), Deus está simplesmente dizendo que ninguém pode exigir Sua misericórdia, pois ela flui livremente do seu amor.
Quanto a julgá-lo pelos nossos padrões, os exatos padrões de amor e bondade aos quais nos apegamos estão escrito a em cada consciência humana por um Deus que é muito mais amoroso do que jamais poderíamos ser. A 1 Coríntios 13, o "capítulo do amor" apresenta um amor tão distante da capacidade humana que só poderia ser o amor de Deus. E é denegrir esse amor perfeito e infinito sugerir que Deus agiria em relação a qualquer pessoa com menos bondade, compaixão e amor do que Ele espera de nós, suas criaturas.
Se o médico possuísse a cura exata para uma epidemia que estivesse devastando a raça humana e, contudo, a suprisse apenas a um grupo selecionado, deixando multidões morrer sem necessidade, ele seria condenado com justiça. Jesus disse: "Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso" (Lucas 6:36).
Certamente Deus não é menos misericordioso do que nos ordena ser. Desse modo é falso qualquer sistema teológico que apresenta um Deus menos amoroso, gentil e compadecido do que a consciência dada por Ele ao homem e os seus mandamentos bíblicos lhe dizem que Ele deveria ser.
Já vimos na TBC de fevereiro/2002 muito do que um Deus soberano não pode fazer e não apesar do que Ele é, mas por causa de quem Ele é. Ele não pode mentir, voltar atrás em sua palavra, negar-se a si mesmo, pecar, cometer erros, faltar com a graça, falhar na misericórdia ou no amor. Nem também pode ser injusto. Então, Ele não pode perdoar os pecadores sem o pagamento da total penalidade exigida pela Sua justiça. E é aí que entram a redenção e a reparação.
Perdoar simplesmente Adão e Eva por causa de sua rebelião não teria sido apenas injusto como também não teria resolvido o problema básico. Dar ao homem uma nova oportunidade não iria mudar coisa alguma. A rebelião simplesmente iria acontecer outra vez e, novamente, sempre que Deus fosse perdoando-a.
A desobediência voluntária de Adão e Eva contaminou toda a raça humana. Deus teria de recomeçar tudo de novo. Mas criar outro Adão e outra Eva só iria resultar na repetição do mesmo fracasso anterior. A raça humana já existente deveria ser resgatada. Mas como?
Deus deveria tornar-se homem – o Deus infinito, perfeito, homem sem pecado em uma pessoa – e Ele mesmo pagaria, por toda humanidade, a infinita penalidade do pecado exigida pela sua justiça. E Deus se tornar homem e morrer em nosso lugar só foi possível porque Deus é um ser trino: "E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo" (1 João 4:14) o Filho, não o Pai nem o Espírito Santo morreria em nosso lugar.
O Messias - Redentor - não poderia nascer na terra antes que chegasse a plenitude do tempo
(Gálatas 4:4). O seu miraculoso nascimento virginal só poderia acontecer após um longo período de preparação. Essa preparação envolveria a revelação do horror do pecado, estabelecendo um sistema de sacrifícios, os quais apontariam para a redenção que o Messias iria realizar e pela provisão de muitas profecias com respeito ao Messias e ao Seu ministério, o qual o identificaria além de qualquer dúvida, quando, finalmente, Ele viesse.

A primeira profecia sobre Aquele que iria redimir a humanidade foi pronunciada como condenação à serpente enganadora, com a qual Adão e Eva concordaram, o que resultou no seu pecado (Gênesis 3:15).
A primeira descrição da redenção foi dada quando Deus matou animais, derramando o  sangue destes, a fim de que suas peles pudessem cobrir a nudez de Adão e Eva. A penalidade da morte tinha de ser executada, pois "E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão" (Hebreus 9:22) E porque "Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma" (Levítico 17:11).
A ingestão de sangue iria perpetuar a vida de negligência, negando tanto a penalidade como a  solução do problema, de ter sido proibida aos judeus conforme Levítico 17:14: "Porquanto a vida de toda a carne é o seu sangue; por isso tenho dito aos filhos de Israel: Não comereis o sangue de nenhuma carne, porque a vida de toda a carne é o seu sangue; qualquer que o comer será extirpado". E aos cristãos, segundo Atos 15:20. Essa proibição é desobedecida pela declaração do Catolicismo de que os seus sacerdotes mudam a hóstia e o vinho, na eucaristia, no corpo e sangue de Cristo, para serem ingeridos pelos fiéis. O sangue de Cristo foi derramado em Sua morte no calvário, para jamais ser recuperado. O seu corpo ressurreto é de "carne e ossos" Lucas 24:39), sem sangue.
Os sacrifícios e exemplos do Velho Testamento tipificavam o futuro sacrifício do Messias. Cristo explicou que até mesmo a serpente de bronze erguida no deserto (Números 21:6-9) tipificava a Sua morte na cruz (João 3:14).
Do primeiro altar primitivo Deus ordenou: "Um altar de terra me farás, e sobre ele sacrificarás os teus holocaustos, e as tuas ofertas pacíficas, as tuas ovelhas, e as tuas vacas; em todo o lugar, onde eu fizer celebrar a memória do meu nome, virei a ti e te abençoarei. E se me fizeres um altar de pedras, não o farás de pedras lavradas; se sobre ele levantares o teu buril, profaná-lo-ás. Também não subirás ao meu altar por degraus, para que a tua nudez não seja descoberta diante deles" (Êxodo 20:24-26).
Nenhum esforço humano era aceitável e o sangue do sacrifício só podia cobrir temporariamente o pecado, antes da cruz. Babel foi a última rejeição do plano de redenção divino: em vez de um sacrifício de sangue passos humanos foram dados na trila rumo ao céu. Só podemos mencionar algumas das ofertas principais no VT que tipificavam a vinda do Messias. Mas freqüentemente, o animal sacrificado era um cordeiro o qual sempre tipificou o Messias (João 1: 29). Em Gênesis 22:8-13 vemos o cordeiro preso pelos chifres provido por Deus a Abrão, a fim de substituir Isaque. Houve o cordeiro pascal sacrificado para libertar Israel do Egito (Ex. 12:5) tipificando a perfeição e impecabilidade de Cristo. Esse cordeiro deveria ser comido, após passado no fogo, tipificando a ira de Deus sobre o pecado a qual recairia sobre Cristo em nosso lugar.
Todo o livro de Levítico é voltado às instruções relativas aos vários sacrifícios que, temporariamente, cobririam o pecado, até que viesse o Messias. Tudo falava do sacrifício que seria feito, de uma vez para sempre, por Cristo, o único que poderia resgatar a humanidade. O tabernáculo (e mais tarde o templo) no qual esses sacrifícios eram oferecidos eram "uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço; consistindo somente em comidas, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da correção" (Hebreus 9:9, 10), isto é, o advento e o sacrifício de Cristo. O fundamento do ensino bíblico concernente à redenção e reparação  está estabelecido no Velho Testamento. A palavra "redentor" é encontrada cada uma das dezoito vezes em que aparece na Bíblia; a reparação é encontrada oitenta vezes das oitenta e uma vezes em que aparece na Bíblia; "redimido" é encontrada cinqüenta e cinco das sessenta e duas vezes. Nem sequer uma das figuras do VT de redenção ou reparação foi declarada efetiva para apenas um grupo seleto. Todo dia de sacrifício e festa figurando Cristo sob a antiga aliança foi para todo o Israel (embora a maioria deste tenha rejeitado a provisão). Ainda permanece um remanescente. Isso é verdadeiro a partir da observância do sábado "Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus" (Hebreus 4:9). ("Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós até o dia da reparação" (1 Coríntios 5:7). "Porque toda a alma, que naquele mesmo dia se não afligir, será extirpada do seu povo" (Levítico 23:27), incluindo cada sacrifício no tabernáculo e no templo. Este pano de fundo nos ajuda a ver que exatamente como no Velho Testamento, os sacrifícios que aguardavam o sacrifício na cruz, também o sacrifício de Cristo no calvário não se limita a um grupo seleto, mas foi eficaz para aqueles que viessem a crer.

 

"Biblical Redemption/Atonement - Part II".
Artigo de Dave Hunt.
Traduzido por Mary Schultze
"... Todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus"  Romanos 8:28
  
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