domingo, 25 de outubro de 2009

A MISSÃO DO CONSOLADOR.

JOÃO 16.1-33
Pb. José Mário da Silva
Soli Dedo Gloria Nunc Et Semper

Seguir a Cristo nunca foi, nas Escrituras sagradas, apresentado como sinônimo de uma experiência fácil e isenta de adversidades. Pelo contrário, em todo o momento, o Senhor Jesus Cristo sempre advertiu aos que dEle se aproximaram para a imensa seriedade que significava o compromisso de renunciar ao pecado e, ato contínuo, assumir a responsabilidade de andar com Ele, viver uma nova vida, submeter-se, enfim, ao Seu completo senhorio. Por essa razão, Jesus afirmou: “Tenho-vos dito estas coisas para que não vos escandalizeis. Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar um culto a Deus. Isto farão porque não conhecem o Pai, nem a mim” (João 16.1-3).

A oposição que o mundo incrédulo e desconhecedor da graça de Deus move contra a igreja de Cristo não é expressão de uma simples e suave antipatia, um desacordo ideológico passageiro e sem maiores conseqüências. Nada disso. É uma oposição feroz, intensa, movida por pessoas irregeneradas que, subjugadas ao império do diabo, não hesitarão, muitas vezes, em perseguir os cristãos até ao ponto de tirar-lhes a vida. E, ao perpetrarem tais abusos e violência institucionalizada, imaginarão, muitas delas, estar prestando um culto a Deus. Em sua profunda ignorância espiritual, presumem que estão agradando a Deus, ao perseguirem ao povo que o próprio Deus escolheu, a quem Jesus Cristo redimiu e em quem o Santo Espírito habita.


A razão que as leva a agir dessa forma é claríssima: não conhecem a Deus e, de igual maneira, desconhecem, inteiramente, o Seu amado Filho. Estão mergulhadas nas densas trevas da incredulidade. Em seus corações ainda não raiou a bendita luz do evangelho da graça do nosso Senhor s Salvador Jesus Cristo. Que diferença imensa há entre o Saulo de Tarso que, em viagem para Damasco, estava possuído de ódio contra os cristãos, e os perseguia ferozmente, e o Paulo que, vencido pela luz que do céu se abateu sobre ele, quedou-se, humilde e adorador, diante do soberano Filho de Deus! O primeiro era a expressão mais exata da insciência espiritual. O segundo era o exemplo mais acabado do poder que Deus tem para transformar pecadores perdidos em santos filhos do céu.


Portando, somente se escandaliza com a perseguição e o antagonismo que o mundo move contra a igreja de Cristo quem não possui sólido conhecimento da Palavra de Deus e, por essa razão, prefere dar ouvidos ao triunfalismo ingênuo e soberbo das pregações da prosperidade, que insistem em transformar a terra no céu, ao prometerem irrealizáveis conquistas. Ser cristão, de maneira genuína e bíblica, é estar, sim, predisposto para, mais dia menos dia, dar de cara com as modalidades mais dolorosas de sofrimento. E, se tais sofrimentos, são por amor a Cristo, bendito seja o sofrimento que nos transporta para mais perto do nosso amado Salvador.


Toda despedida, já o dissemos antes, é fonte segura de tristezas e inescondíveis desconfortos morais. A despedida de Jesus dos Seus discípulos não seria diferente. Jesus, prestes a partir para a glória, após a consumação da obra da redenção do Seu povo, está ministrando as últimas lições aos Seus discípulos. Ao preveni-los acerca do quanto eles haveriam de sofrer por Sua causa, Jesus lhes faz uma promessa maravilhosa: o envio do Espírito Santo, o bendito Consolador, Aquele que viria e estaria para sempre com os discípulos de Cristo.


A vinda do Espírito Santo para habitar para sempre com os seguidores de Jesus Cristo, transformados pelo poder do Seu santo evangelho, era a única promessa capaz de aplacar a imensa tristeza que passou a dominar os seus corações, no momento exato em que tomaram ciência de que o seu benfeitor maior, Jesus Cristo, iria partir de volta para o Pai.


“Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8). As interpretações mais populares deste texto dão conta de que ele está apontando para a convicção de pecado por que são tomados os pecadores quando confrontados com a exposição do evangelho e com a ação iluminadora do Espírito Santo em seus corações. Contudo, como assevera o comentarista da Bíblia de Genebra, “esta é, provavelmente, não uma referência à convicção que leva ao arrependimento e à salvação, mas ao desmascaramento da inescusável culpa da humanidade”.


O Espírito Santo convence do pecado, haja vista que a incredulidade é, por assim dizer, uma espécie de raiz de todos os pecados. O coração incrédulo, que se fecha à luz proveniente do evangelho de Cristo, abre as portas da alma para o cometimento de todas as outras modalidades de iniqüidade. O Espírito Santo também convence do juízo, haja vista que todos, tanto o diabo quanto os que se acham debaixo da sua ação escravizadora, receberão o juízo definitivo de Deus.


O Espírito Santo guiará a igreja de Cristo em toda a verdade de Deus. As Escrituras sagradas, tanto as do Antigo Testamento quanto as do Novo Testamento, foram inspiradas pelo Santo Espírito de Deus, que atuou, de modo inerrante e infalível, sobre os homens que escolheu para a transmissão da Palavra revelada de Deus. Sendo assim, o Espírito Santo age na vida da igreja, iluminando a mente e o coração dos filhos de Deus, a fim de que eles compreendam a Palavra de Deus e a ponham em prática.


Um ponto sobremaneira importante aqui é que o Espírito Santo não traz, como tem sido sobejamente ensinado nos arraiais neopentecostais, nenhuma nova revelação, somente passível de ser alcançada por alguns crentes supostamente mais espirituais do que outros. Nada disso. Ele ilumina o povo de Deus, a fim de que ele compreenda a Palavra que o Espírito Santo, de uma vez por todas, inspirou.


“Porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu; por isso é que vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (João 16.13b-14-15). A personagem central das Escrituras sagradas é o Senhor e Salvador Jesus Cristo. No Antigo Testamento, Ele é o Salvador prometido, o Desejado das nações, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. No Novo Testamento, Ele é o Salvador que já veio, consumou a obra da redenção, ressuscitou dentre os mortos, voltou glorioso e triunfante para o Pai, e, na consumação de todas as coisas, voltará para implantar o Seu reino absoluto de justiça. Sendo assim, o centro de todas as coisas, é para Jesus Cristo que se volta a ação do Espírito Santo, que o glorifica, relembra-nos de tudo aquilo que Jesus ensinou, e a Cristo conduz os pecadores arrependidos e regenerados.


Aqui, temos um bom teste para aferirmos se uma determinada ação na vida da igreja é, e fato, proveniente do Espírito Santo. Basta verificarmos se a Palavra de Deus está sendo corretamente pregada. Se Cristo está sendo glorificado de modo devido. Se é para Cristo que os pecadores estão correndo, em atitude de arrependimento e fé, então, não há dúvidas de que é o Espírito Santo de Deus que está operando. Contudo, se o Espírito Santo tem sido invocado para chancelar práticas cúlticas e pregações desabonadas pela Palavra de Deus e que nunca encontraram guarida nos momentos mais salutares da História da Igreja, então, temos sobrantes razões para pensarmos que tais movimentos são muito mais provenientes das invencionices humanas que do braço forte do Senhor.


“Um pouco, e não me vereis, e outra vez um pouco, e ver-me-eis” (João16.19b). O comentarista da Bíblia de Genebra assim comenta este versículo: “A primeira expressão refere-se indubitavelmente à crucificação, que tiraria Jesus de entre eles; a segunda, pode referir-se à ressurreição, à vinda do Espírito ou à segunda vinda de Cristo. A ressurreição se adapta melhor ao tempo imediato da profecia, a segunda vinda ajusta-se melhor ao pleno escopo da alegria referida”.


“A vossa alegria ninguém poderá tirar” (João 16.22b). A partida de Cristo para o Pai, sem dúvida, provocaria tristeza no coração dos Seus discípulos, afinal das contas, durante três anos, eles experimentaram o maravilhoso convívio com o próprio Filho de Deus. Nada poderia ser mais extraordinário que isso. No entanto, estava se aproximando a hora em que Jesus iria voltar para o Pai. Em tal circunstância, a tristeza e a decepção se impunham como sentimentos humanamente inevitáveis. Contudo, a gloriosa promessa do Senhor Jesus, a certeza inamovível de que o Espírito Santo, o Consolador amado, ficaria com os discípulos para sempre, era uma notícia mais que suficiente para produzir neles o mais vivo, santo e duradouro sentimento da verdadeira alegria.


A alegria que Deus nos concede é permanente, não depende das circunstâncias mutáveis da vida, nem muito menos das montanhas e vales por que passamos em nossa jornada terrena. A nossa alegria procede do Senhor. É fruto glorioso do Seu Espírito Santo, que habita em nós. É a garantia de que nada, nem ninguém, pode roubar aquilo que, antes da fundação do mundo, Deus decretou para nós. Aquilo que o Senhor Jesus Cristo realizou no calvário em favor do Seu povo. E que o Espírito Santo tem aplicado em nossos corações.


“Naquele dia, nada me perguntareis. Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome. Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis para que a vossa alegria seja completa” (João 16.23-26). Depois que Jesus Cristo foi assunto aos céus, e o Espírito Santo, no dia de Pentecostes, veio sobre a igreja, como pleno e definitivo cumprimento de uma promessa feita pelo Senhor, a plena verdade revelada de Deus, pelo mesmo Espírito Santo, passou a ser ministrada à igreja.


Mais uma vez, Jesus Cristo nos estimula a orarmos ao Pai em Seu nome, não de forma tímida e impregnada de duvidosa fé, mas, sim, de maneira confiante, referente, convicta de que o nosso Deus é poderoso e, de conformidade com o conselho da Sua boa, perfeita e agradável vontade, Ele responde às orações do Seu povo. “Porque o próprio Pai vos ama” (João 16.27a). É sobremaneira confortável sabermos que, na condição de filhos de Deus e crentes no nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, nós somos objeto privilegiado do amor da Trindade. O Pai nos ama. O Filho nos ama. O Espírito Santo também nos ama. O Pai nos ama e nos escolheu para a salvação, antes da fundação do mundo. O Filho nos ama e morreu por nós na cruz, a fim de nos redimir. O Espírito Santo nos ama e em nossos corações aplicou os resultados gloriosos da obra que Cristo realizou em nosso favor na cruz. Sim, somos amados pela Trindade bendita.


“Agora, vemos que sabes todas as coisas” (João 16.30a). A onisciência de Jesus, um dos atributos mais gloriosos de Deus, é percebida pelos Seus discípulos, que reconhecem a Sua plena divindade. “Não estou só” (João 16.32a). Nos momentos mais cruciais do Seu ministério, o Senhor Jesus Cristo experimentou o abandono dos Seus discípulos, que não foram capazes de acompanhar o Seu Mestre nas horas em que o Seu sofrimento se mostrou mais extremo. Contudo, Jesus tinha o Pai ao Seu lado, embora no instante em que Ele bradou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27.46; Marcos 5.34), o texto bíblico nos mostre claramente que, de fato, Jesus experimentou uma real separação do Pai. Temos, aqui, o inimaginável ápice do que Jesus Cristo padeceu, ao levar sobre os Si os terríveis pecados das Suas ovelhas.


“Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (João 16.33). Eis-nos, mais uma vez, diante do realismo de que reveste a pregação do Senhor Jesus Cristo para a Sua igreja. Seguir a Cristo é estar consciente de que a vida cristão não é um piquenique espiritual feito apenas de delícias, contentamentos e bem-aventurança. Na estrada do cristão há espinhos, pedras, dores, sofrimentos, angústias, aflições de toda espécie. Contudo, a promessa gloriosa de Cristo é de que Ele venceu o mundo. Firmados nEle, em Sua Palavra, em Seu poder, em Sua graça, em Seu amor, em Sua providência e soberania absoluta, nós também venceremos. Na verdade, em Cristo Jesus, “nós somos mais do que vencedores” (Romanos 8.37b).


Juntamente com a presença do Espírito Santo em nossos corações, Deus nos concede também a Sua gloriosa e incomparável paz. A paz que transcende toda e qualquer possibilidade de entendimento humano. A paz que Jesus nos dá não é uma mera serenidade de espírito, garantida pela total ausência de qualquer tipo de conflito ou problema. No mundo, é Jesus quem diz, certamente teremos aflições. Mas, em meio às adversidades da vida, Jesus nos conforta com a Sua paz. Paz que, em primeiro lugar, é resultante do fato de termos sido justificados pela fé, não havendo, pois, mais nenhuma condenação pesando contra nós diante do justo tribunal de Deus. Em segundo lugar, temos paz, porque Deus nos promete estar “conosco todos os dias, até à consumação do século”. (Mateus 28.20b). Por fim, a paz que Cristo nos dá enraíza-se no poder soberano que Ele tem de governar todas as coisas de conformidade com a Sua vontade. Nada, absolutamente nada, no universo, acontece fora do controle providencial de Deus, daí podermos ter, no Filho de Deus, paz real e abundante, mesmo, convém reiterar, quando o barco da nossa vida é açoitado pelas tempestades. Por todas essas bênçãos, seja Deus sempre alvo do nosso louvor, serviço e adoração.

FONTE: VINACC

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