sexta-feira, 24 de abril de 2009

Igreja Evangélica - Mais propensa a sentir do que pensar

Dr. Paulo Romeiro

Pergunta: O crescimento dos evangélicos no Brasil, principalmente dos neopentecostais, está sendo acompanhado por uma formação teológica eficaz? A Igreja Evangélica pode provocar mudanças na Igreja Católica Romana?

Resposta: Não! O crescimento da presença evangélica no Brasil não está sendo acompanhado por uma formação teológica adequada! Uma das coisas que tem contribuído para esta resposta negativa é a proliferação de escolas e institutos bíblicos despreparados, por toda a parte, sem bibliotecas.

Assim, continuaremos tendo uma igreja muito mais propensa a sentir do que a pensar ou refletir, tudo isso reforçado por um antiintelectualismo que permeia, atualmente, grande parte dos evangélicos.

Acho que a teologia evangélica não pode influenciar a igreja católica. Roma tem posições definidas e vem mantendo com sucesso, ao longo do tempo, seus dogmas e posições. Basta verificar o comportamento dos últimos papas, João Paulo II e Bento XVI.

Aonde quer que João Paulo II tenha ido, ele jamais cedeu às pressões mudar as posições do catolicismo em relação à ordenação de mulheres, às questões do aborto, homossexualidade e do controle de natalidade.

É verdade, no entanto, que a igreja evangélica, principalmente o seu segmento pentecostal, tem influenciado a teologia e a liturgia da renovação carismática católica.

O uso intenso de símbolos, os mesmos cânticos e gestos — a aeróbica do Senhor — têm sido transportados, com sucesso, do ambiente neopentecostal para as missas do padre Marcelo Rossi e de outros.

Às vezes, alguns modismos ou desvios doutrinários influenciam um ou outro líder católico, mas de forma isolada. É o caso do padre Alberto Gambarini, que usa os mesmos métodos de arrecadar fundos de alguns televangelistas: vende medalhas, apresenta ensinos questionáveis tais como quebra de maldições hereditárias e outros na área de batalha espiritual.

Dá a impressão de que ele é um pastor tentando agradar católicos ou um padre tentando agradar evangélicos. Creio que a postura do catolicismo, de não negociar suas posições, deveria servir de exemplo para evangélicos que não hesitam em incorporar novos modismos teológicos e práticas heterodoxas, baixando o padrão de suas pregações para conseguir mais adeptos e inchar suas igrejas.


CRISE ÉTICA

Pergunta: Que influência os políticos evangélicos têm tido sobre o quadro político brasileiro?

Resposta: A chegada de políticos evangélicos a cargos públicos não tem feito diferença na ética política do país, pois o universo político evangélico não constitui, pelo menos por enquanto, uma referência ética para a sociedade.

Basta ver que, nos últimos anos, o envolvimento da maioria dos evangélicos com a política produziu mais males do que benefícios. A própria CPI do Orçamento revelou o triste fato de deputados e organizações evangélicas roubando o tesouro público.

Vários políticos evangélicos sucumbiram aos subornos, mentiram, venderam votos e tor naram-se assuntos de piada por parte dos incrédulos. A CPI do Mensalão é mais uma prova disso.

Recentemente, um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus renunciou ao seu mandato para não ser cassado. Creio que a crise da ética vivida por grande parte da igreja atualmente exige de seus líderes respostas e ações urgentes.

Muitos jovens evangélicos colam nas escolas e acham que não há nenhum problema em fazê-lo. Conheço pastores que, quando alguém liga para sua casa, instruem os filhos a dizer no telefone que o pai não está, já ensinando-os a mentir.

Basta ir às livrarias evangélicas para constatar o grande número de cheques sem fundos emitidos por crentes. Como vamos ensinar aos políticos brasileiros algo que não praticamos?

Sei que há, pelo Brasil afora, líderes evangélicos e cristãos sinceros, mas não são a maioria e nem têm visibilidade midiática. Infelizmente, os que aparecem não representam a melhor parte do mundo evangélico.

A igreja precisa, com urgência, colocar o ensino e a prática da ética bíblica na sua agenda de prioridades. Ensinar e viver a ética cristã é o caminho a ser percorrido por nós, se quisermos, de fato, ser o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5:13–16).

Lamentavelmente, a atual ética política evangélica representa um retrato negativo, oposto ao que devemos ser enquanto cidadãos e cristãos evangélicos.


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